Relatório da ONU vai recomendar o uso de etanol de cana-de-açúcar
Publicado em 27/11/2006 16:53
da Redação
Representantes de mais de 120
países estão reunidos em Bangcoc, na Tailândia, para estabelecer as
conclusões da terceira parte do relatório anual do Painel
Intergovernamental de Mudanças Climáticas, que deve ser divulgado em
sua versão integral nesta sexta-feira.
O texto serviu de base
para a criação de um sumário com recomendações de novas políticas
ambientais, que os países participantes devem se comprometer a adotar.
O
UOL News conversou com a enviada especial da BBC Brasil a Bangcoc,
Marina Wentzel. "A imprensa tem um acesso difícil ao que está
acontecendo, os delegados e cientistas não tem permissão para falar com
a imprensa. Ontem, os países desenvolvidos chegaram a um acordo sobre a
questão nuclear. Será lançado um documento alegando que a energia
nuclear é uma alternativa boa e verde, porque tem baixa emissão de
carbono, mas que deve ser vista com bastante cautela, já que ela tem
efeitos colaterais como, por exemplo, o lixo nuclear.
China
Segundo
Marina, um dos pontos de destaque das discussões é a barganha entre a
China e os países desenvolvidos. "Os países mais ricos têm como buscar
energias alternativas e verdes, enquanto os países em desenvolvimento
dependem de fontes de energia muito poluentes. No caso da China, o
carvão é fonte de 80% da energia do país. O boom econômico que o país
vive é extremamente dependente desse tipo de energia. A China não tem
nenhuma intenção de mudar sua matriz energética porque isso não é
economicamente viável. Qualquer meta mais ambiciosa de cortar as
emissões de carbono significa um prejuízo econômico muito grande para o
país".
Etanol brasileiro
Para o Brasil, o assunto mais
relevante, de acordo com a jornalista, é o etanol. "Esta terceira parte
do relatório vai falar sobre soluções para amenizar os efeitos do
aquecimento global e os biocombustíveis estão muito inseridos nessa
questão. Na versão resumida do relatório, que será divulgada amanhã,
vai ser recomendado o uso do etanol. Na versão extensa do documento,
com dados científicos mais profundos, fica claro que o etanol
brasileiro é superior ao americano, porque ele é feito de
cana-de-açúcar e o americano é feito de milho. A produção de milho
demanda o uso de muitos pesticidas que emitem gases nocivos à camada de
ozônio. O documento recomenda que se adote de uma maneira extensiva o
uso do etanol brasileiro feito da cana".
Aquecimento global
Brasil,
Índia, China e México, quatro grandes emergentes, querem incluir no
texto oficial uma referência atribuindo aos países ricos
responsabilidade pelo aquecimento global. "Está sendo feito um esforço
diplomático, mas não é certo que vá entrar no relatório. A primeira
parte do documento, divulgada em janeiro, reconhece que o aquecimento
global foi causado pelo homem, o que, de certa forma, implica em culpa.
Os países em desenvolvimento dizem que os países ricos estão passando
para eles a culpa, levando em conta apenas o período a partir de 1974,
quando começa o boom econômico da China, por exemplo. Se esses fatos
não forem colocados num contexto histórico, fica muito fácil daqui a
vinte ou quarenta anos olhar para trás e culpar os países hoje
emergentes. Segundo os diplomatas, na verdade o contexto do aquecimento
global é mais extenso e vem desde os primórdios da revolução
industrial", concluiu Marina.





















