Reajuste salarial aprovado pela Câmara custará R$ 610 mi aos cofres públicos
Publicado em 27/11/2006 16:53
RANIER BRAGON
da Folha de S.Paulo, em Brasília
A
Câmara aprovou na noite de ontem aumento de 28,5% nos salários dos 594
congressistas, do presidente da República, do vice e dos 34 ministros.
Apesar de quase todos os partidos terem combinado a medida há semanas,
o dia foi marcado por recuos de última hora, discursos tensos e
bate-bocas entre governo e oposição.
A aprovação dos reajustes, retroativos a 1º de abril, ocorreu de forma simbólica --sem registro nominal dos votos.
Os
projetos --um para o Congresso e outro para o Executivo-- têm que ser
ratificados no Senado. Quando entrarem em vigor, representarão impacto
anual aos cofres públicos de ao menos R$ 610 milhões, já que deputados
estaduais e vereadores têm salários vinculados aos contracheques do
Congresso.
"Impressiona o grau dramático que essa questão
suscita. Queria ver essa tenacidade em uma série de outras matérias",
discursou o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ). "Somos um poder nas
cordas", avaliou Fernando Gabeira (PV-RJ).
Um dos defensores do
reajuste, o deputado Carlos Willian (PTC-MG) rebateu: "Aqui existem
demagogos, falsos paladinos da moralidade".
O índice de 28,5%
representa a inflação (IPCA) acumulada entre dezembro de 2002 e março
deste ano, descontado reajuste de pouco mais de 1% em 2003. Os
congressistas receberam o último aumento em 2003. No fim de 2006,
aprovaram aumento de 91%, mas o STF derrubou a medida.
Presidente,
vice e ministros tiveram salários fixados em 1995. Desde então, tiveram
reajuste de 4,5% contra inflação acumulada de 156%.
Tensão
O
clima tenso começou à tarde, quando o presidente da Câmara, Arlindo
Chinaglia (PT-SP), já dava o tom discursando ao plenário que a "Câmara
não precisava se envergonhar". O dia de ontem foi escolhido pelos
líderes dos partidos políticos justamente devido à chegada ao Brasil do
papa Bento 16, evento que tenderia a atrair grande parte da atenção.
Quando
foi a voto requerimento de prioridade para o reajuste, o PSOL exigiu
que a votação fosse nominal. Os oposicionistas DEM (ex-PFL) e PSDB se
declararam contra a prioridade. O PT acusou a oposição de fazer
"disputa política", mas se negou a defender a proposta.
Diante
de rebelião nas bases, o PSDB foi obrigado a "recuar do recuo". O líder
da bancada, Antonio Carlos Pannunzio (SP), liberou os deputados a
votarem como quisessem argumentando que o partido se confundira na
orientação anterior. O PT também refez sua posição.
Só o DEM
manteve a orientação inicial. No final, o requerimento pró-reajuste
venceu por 355 votos (incluindo 16 do DEM) a 85 (incluindo 11 do PT e
16 do PSDB).























