Para evitar desgaste, PMDB entrega para PT a relatoria da CPI do Apagão Aéreo
Publicado em 27/11/2006 16:53
ANDREZA MATAIS
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Alvo
de disputa entre partidos da base aliada e da oposição, a relatoria da
CPI do Apagão Aéreo na Câmara se tornou uma espécie de "abacaxi" para
os partidos da base aliada do governo. Para evitar o controle da
oposição sobre a relatoria, o PT aceita ficar com o cargo. Mas petistas
reconhecem, nos bastidores, que o partido que ocupar a relatoria
sofrerá desgastes na Casa e junto a opinião pública.
O PMDB, como maior bancada da Câmara, tem a prerrogativa regimental de escolher entre a relatoria e a presidência da CPI. A Folha Online
apurou que o partido quer a presidência justamente para evitar
desgastes com os deputados --uma vez que as investigações incluem o
deputado Carlos Wilson (PT-PE), ex-presidente da Infraero.
O
partido também teme que as investigações não tragam resultados
concretos sobre a crise aérea, o que poderia desgastar o PMDB na
opinião pública. Lideranças do PMDB já adiantaram que o partido vai
indicar um petista para o cargo com o objetivo de evitar que o relator
seja da oposição.
Os partidos da base aliada ainda não
indicaram os membros da CPI. A bancada do PT na Câmara se reúne hoje às
18h para definir os nomes. O partido tem direito a oito vagas --quatro
titulares e quatro suplentes. Os cotados para integrar a comissão são
os deputados Edson Santos (RJ), Marco Maia (RS), Pepê Vargas (RS),
André Vargas (PR), Iriny Lopes (ES), Carlos Zarattini (SP), Cândido
Vacarezza (SP) e Eduardo Valverde (RO).
O nome de Marco Maia é o
mais forte para a relatoria da CPI, enquanto o peemedebista Marcelo
Castro (PI) deve ficar com a presidência da comissão. A Folha Online
apurou que Vacarezza chegou a ser cotado para ficar com a relatoria,
mas líderes petistas desistiram da sua indicação diante da ligação do
parlamentar com o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). O PT
quer evitar especulações sobre a influência de Chinaglia na CPI.
O
partido também não deve indicar para a comissão integrantes da bancada
de Pernambuco --uma vez que Carlos Wilson será investigado pela CPI.
Como o ex-presidente da Infraero é um dos membros da bancada, o partido
quer evitar prejuízos às alianças no Estado se a comissão intensificar
as investigações sobre o deputado.
Prazo
O prazo
para a indicação dos integrantes da CPI do Apagão Aéreo termina hoje no
final do dia. Chinaglia pretende instalar a comissão amanhã, com a
escolha do presidente e do relator. A oposição já avisou que vai
recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) se não ficar com um dos
cargos de comando da comissão. O PSDB alega que, como signatário do
requerimento que pediu a instalação da CPI, tem direito a ficar com a
presidência ou a relatoria da comissão.
Nos bastidores, líderes
governistas admitem abrir mão de um dos cargos de comando da comissão
na Câmara se a oposição desistir de instalar a CPI do Apagão no Senado.
O DEM já avisou que defende a instalação das duas CPIs no Congresso,
com funcionamento paralelo, mesmo diante da proposta dos governistas.























