Lula rejeita acordo e diz ao papa que Brasil vai manter Estado laico; Bento 16 não fala sobre aborto
Publicado em 27/11/2006 16:53
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira, em
encontro com o papa Bento 16, que o Brasil vai "preservar e consolidar
o Estado laico".
Em conversa com sua assessoria depois da
reunião com o papa no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, Lula
disse que explicou ao papa que o Brasil mantém a posição de "ter a
religião como instrumento para tratar do espírito e temas sociais".
Lula
também disse, segundo sua assessoria, que o papa não tocou no tema
aborto durante o encontro. A oposição da Igreja Católica ao aborto foi
citada pelo papa em suas duas falas na quarta-feira, em seu primeiro
dia de visita ao país
A reunião de Lula e Bento 16 terminou em
impasse no que diz respeito a fechar um acordo sobre direitos e
privilégios da Igreja Católica no país.
Há poucas informações
sobre os exatos termos do acordo, mas, segundo a BBC Brasil, a Igreja
Católica quer formalizar em um documento legal próprio direitos e
privilégios.
Entre os temas estariam a liberdade de culto, a
preservação de igrejas, isenções fiscais, concessão de vistos para
missionários e o ensino de religião nas escolas.
Segundo a
assessoria de Lula, o papa disse que, apesar do impasse, tem a
expectativa de que o acordo seja fechado ainda em seu pontificado e no
mandato do presidente Lula.
Lula chegou ao Palácio dos
Bandeirantes acompanhado da primeira-dama, Marisa Letícia, que ofereceu
como presente um retrato pintado do papa. O presidente entregou três
livros sobre a obra do pintor modernista Candido Portinari (1903-1962)
e o governador, uma bíblia de 15 quilos. Antes da conversa com Lula, o
pontífice visitou uma exposição de arte sacra no Salão dos Pratos do
Palácio.
Resistência
O Itamaraty vem resistindo aos pedidos da Igreja e prefere remeter os temas para a legislação brasileira já em vigor.
"A
assinatura, segundo o desejo do Vaticano, deveria acontecer durante a
viagem do papa ao Brasil, mas ela acabou sendo adiada para o final do
ano, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá vir em visita
oficial", informou funcionário da Embaixada do Brasil junto à Santa Sé.
Uma proposta de acordo foi enviada pela Santa Sé ao Itamaraty em dezembro do ano passado.
Público
Cerca
de 50 pessoas esperavam o papa do lado de fora do palácio. Entre elas,
Zélia Matta, com três filhos em uniformes escolares, segurava um buquê
de flores que queria entregar a Bento 16. "Como católica, espero que o
papa defenda o direito à vida", afirmou.
Outra católica, Lucila
Beting, também defendeu a postura da Igreja. "A Igreja tem posições que
são difíceis de seguir no mundo moderno, mas temos que defender esses
princípios", disse.
"É muito difícil ser uma mãe católica hoje
em dia e ensinar que não se deve usar camisinhas porque não se deve
fazer sexo. Sexo é um presente de Deus. O que nós somos contra é a
promiscuidade", afirmou.























