Grupo dos Oito: Operação para calar manifestantes
Publicado em 27/11/2006 16:53
Berlim, 11/05/2007 – Uma operação nacional na Alemanha contra ativistas
de esquerda acusados de terrorismo e planejar distúrbios por ocasião da
cúpula do Grupo dos Oito países mais poderosos no próximo mês é parte
de uma grande campanha oficial para sufocar todo protesto durante o
encontro. Cerca de 900 policiais invadiram na quarta-feira casas e
escritórios de vários ativistas de esquerda suspeitos de planejarem
distúrbios durante a reunião do G-8, que acontecerá entre 6 e 8 de
junho em Heiligendamm, no mar Báltico, cerca de 200 quilômetros a
nordeste de Berlim.
As invasões aconteceram no norte e nordeste do país e, principalmente,
em Brlim, Hamburgo, Bremem e outras cidades dos Estados federais de
Baixa Saxônia, Brandenburgo e Schleswig-Holstein. A polícia identificou
20 pessoas como principais suspeitas, mas esclareceu que não houve
detenções. Também desbaratou conexões via Internet e apreendeu
computadores e documentos relacionados com supostos protestos previstos
para acontecerem durante a cúpula.
“Grupos de extrema esquerda e seus membros são suspeitos de fundar uma
organização terrorista ou pertencerem a uma com o único objetivo de
orquestrar ataques com bomba e outros tipos de atos violentos para
perturbar ou evitar a realização do encontro do G-8”, diz o comunicado
da Promotoria. Esse órgão também acusou as organizações de esquerda de
cometerem vários ataques menores nos últimos meses.
O ministro do Interior, Wolfgang Schaeuble, anunciou que o governo vai
reforçar os controles na fronteira para evitar a entrada de
manifestantes estrangeiros violentos. “As medidas de segurança incluem
controles em vários pontos de fronteira para evitar a entrada na
Alemanha de delinqüentes potenciais e outros que possam recorrer à
violência”, disse Schaeuble. “Será dada atenção especial aos violentos
ativistas antiblobalizaçao”, acrescentou. A operação foi parte de uma
série de medidas de segurança dispostas pelo ministro em sua luta
declarada contra o terrorismo.
Schaebule propôs recorrer ao exército, autorizar a interceptação de
conexões de Internet e ampliar a utilização de dados biométricos nos
documentos pessoais de identidade. O ministro também pediu autorização
para abater aviões comerciais sobre território alemão no caso de terem
sido seqüestrados. “Na luta contra o terrorismo não vale a presunção de
inocência. Isso significaria que vou permitir 10 atentados terroristas
em lugar de deter uma pessoa que pudesse não estar envolvida com nenhum
delito”, disse o ministro em entrevista ao semanário Stern.
Entretanto, negou intenções de eliminar as liberdades civis. “Considero
a lei e nosso sistema constitucional como defensores da liberdade. É um
dever fundamental do Estado defender e garantir nossa segurança e nossa
liberdade”, disse. Schaeuble advertiu várias vezes nos últimos meses
que a Alemanha corre sérios riscos de ser alvo de ataques orquestrados
por organizações terroristas islâmicas. Mas nem todos pensam como ele.
O comissário federal para as liberdades civis, Peter Schaar, qualificou
os planos de Schaeuble de “desproporcionados ataques contra nossos
direitos. Estamos desmantelando o império da lei garantido pela
Constituição alemã”, afirmou. Schaar lamentou que muitas das idéias de
Schaeuble já terem tomado forma. “Numerosos inocentes já estão sob
suspeita por utilizar a Internet ou telefones. O simples fato de
utilizar as telecomunicações basta para me converter em um delinqüente
potencial”, afirmou.
Na cúpula de junho, os chefes de Estado e de governo do G-8 (Alemanha,
Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia)
se reunirão para discutir assuntos como comércio internacional,
aquecimento global e ajuda economia para a África. Também participarão
da cúpula chefes de governo dos cinco países com as maiores economias
emergentes: Brasil, China, Índia, México e África do Sul. Espera-se que
cerca de cem mil ativistas estrangeiros e alemães participem de
manifestações em zonas próximas de Heiligendamm, contra o que as
organizações de esquerda chamam de políticas neoliberais.
As autoridades construíram uma barreira de concreto e arame farpado de
12 quilômetros, ao custo de US$ 17 milhões, em volta do lugar onde a
cúpula acontecerá. Haverá cerca de 16 mil policiais e mais de 1.100
soldados cuidando da segurança do cerco e de manter os manifestantes a
vários quilômetros da reunião. Nove navios de guerra vão patrulhar as
águas que banham Heiligendamm. (IPS/Envolverde)
(Envolverde/ IPS)























