Ir para o conteúdo. | Ir para a navegação

Ferramentas Pessoais
Seções
Você está aqui: Página Inicial Notícias Notícias Gerais 2007 Maio Governo ve expansão nuclear como opção para geração de energia
Você está aqui: Página Inicial Notícias Notícias Gerais 2007 Maio Governo ve expansão nuclear como opção para geração de energia

Governo ve expansão nuclear como opção para geração de energia

Publicado em 27/11/2006 16:53

Agência Carta Maior

Além de Angra 3, representantes do setor energético nuclear do governo defendem construção de até outras oito novas usinas no país como fonte alternativa de energia. Grupos socioambientais são contra a proposta.

SÃO PAULO – Diante dos problemas trazidos pelo aquecimento global, a emissão de gases provocadores do efeito estufa (GEE) é uma das principais metas a ser atacada na tentativa de mitigar as implicações das mudanças climáticas no planeta. A redução do uso de combustíveis fósseis – carvão e petróleo – para a geração de energia e o emprego de fontes alternativas são apontados como as principais ações para um modelo sustentável de produção energética.

A ampliação da energia nuclear no Brasil é uma das opções que ressurge como proposta pelos setores energéticos do país. O movimento socioambiental é veementemente contra a idéia por temer os riscos de acidente e o problema do lixo radioativo.

Atualmente, a energia nuclear corresponde a 2,4% da produção energética brasileira, gerados pelas usinas Angra 1 (657 megawatts) e Angra 2 (1350 megawatts). A principal matriz do Brasil é a hidroeletricidade (80%). A intenção é aumentar a capacidade nuclear com a instalação de Angra 3 em 2012.

Há cerca de uma semana, em audiência pública da Comissão de Minas e Energia, o presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva, disse que a construção de Angra 3 está prevista no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal. Segundo ele, assim, como Angra 2, a sua geração será de 1.350 megawatts.

“Para o Brasil crescer e democratizar a sua energia, o país não pode e não deve abrir mão de nenhuma forma energética. A nuclear vai ajudar o desenvolvimento sustentável através do fornecimento de energia limpa, a preço competitivo, com total gestão sobre seus rejeitos e contribuindo fundamentalmente para a redução dos GEEs”, defendeu o diretor da Eletronuclear, Roberto Travassos, no 2o Congresso Ibero-Americano sobre Desenvolvimento Sustentável, que aconteceu em São Paulo entre os dias 24 a 26 e abril.

Segundo Travassos, além de Agra 3, para 2030 está planejada a construção de mais duas usinas nucleares na região sudeste e outras duas no nordeste. “Dependendo do crescimento da economia, esse número de quatro usinas, pode subir para oito”, prevê o diretor da Eletronuclear.

Apesar de a matriz energética brasileira estar concentrada na hidroeletricidade, Travassos lembra que há uma dificuldade para a construção de outras grandes hidrelétricas na região norte, onde o potencial hidrelétrico é o maior do país, porque 40% dessas terras são demarcadas como territórios indígenas ou reservas ambientais. Essa seria uma das principais razões para o Brasil adotar a opção nuclear.

O orçamento estimado pela estatal é de que serão necessários US$ 1,8 bilhão para finalizar Angra 3. “O projeto está sendo apreciado no CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) e estamos aguardando um posicionamento do governo para a sua retomada”, diz Travassos. Segundo ele, o EIA-Rima (estudo e relatório de impacto ambiental) de Angra 3 está submetido ao Ibama. “Em relação ao licenciamento nuclear, por (Angra 3) ser uma cópia quase fiel de Angra 2, estamos bastante confiante que não haverá problemas, a grande diferença entre elas é sua instrumentalização digital”, avalia.

Custos
Um dos principais pontos de discordância entre os defensores da energia nuclear e os socioambientalistas são os custos desse tipo de matriz.

Guilherme Leonardi, coordenador da campanha de energia antinuclear do Greenpeace, garante que, com os investimentos a serem gastos em Angra 3, é possível construir parques eólicos num período de um a dois anos. Os custos poderiam chegar até US$ 7 bilhões. “A implantação de Angra 3 não é viável. A energia nuclear é extremamente cara no Brasil e no mundo. Se quiserem suprir a demanda energética, há outras mais baratas, como a eólica, solar e a biomassa, que não produzem lixo radioativo. O Brasil tem bastante potencial para gerar energia sustentável”.

“Essa matriz não é limpa e sim suja. Ela produz lixo radioativo e até hoje não tem soluções para esse tipo de rejeito. Não se pode trocar um problema pelo outro”, avalia Leonardi.

O diretor da Eletronuclear enfatiza que o fato de o Brasil ter grandes reservas de urânio colabora para se reduzir os custos da energia nuclear. Segundo ele, apenas um terço do território foi prospectado para a extração do material e, até então, o país conta com 309 mil toneladas. “Se Angra 1,2 e 3 estiverem em funcionamento, elas podem operar por 500 anos com essa quantidade de urânio”, calcula Travassos. O Brasil é o sexto país em reservas de urânio.

No mundo

Atualmente, 31 países operam usinas nucleares; são 443 no total e existem outras 38 em construção em 15 países, incluindo Angra 3 no Brasil.

Segundo Roberto Travassos, diretor da Eletronuclear, os Estados Unidos, que é o maior gerador de energia nuclear, tem feito pequenos investimentos para alongar a vida útil de 48 das suas 104 usinas por mais 20 anos. Mais 20 outras estariam em revisão.

Para Leonardi, “a energia nuclear vem caindo no mundo todo”. O ambientalista menciona exemplos como a Alemanha, Espanha e Suécia que, gradativamente, estão abandonando a matriz. “Esses países já optaram por abrir mão desse tipo de energia”, diz.

Ações do documento

Comentários (0)

Apoio Institucional
  • apoio20.png
  • apoio19.png
  • apoio18.png
  • apoio17.png
  • apoio15.png
  • apoio14.png
  • apoio13.png
  • apoio12.png
  • apoio11.png
  • apoio10.png
  • apoio9.png
  • apoio8.png
  • apoio7.png
  • apoio6.png
  • apoio5.png
  • apoio4.png
  • apoio3.png
  • apoio2.png
  • apoio1.png