Governo recorre contra liberação de horário na TV
Publicado em 27/11/2006 16:53
LAURA MATTOS
da Folha de S.Paulo
O Ministério
da Justiça e a Advocacia Geral da União entregaram na segunda-feira (7)
recurso ao Superior Tribunal de Justiça para tentar derrubar a liminar
que desobrigou as TVs a exibir programas em horários estipulados pelo
governo.
O recurso foi entregue ao ministro João Otávio de
Noronha, que concedeu a liminar às TVs há 20 dias. Desde então, mesmo a
programação classificada como imprópria a crianças e adolescentes fica
autorizada a ir ao ar em horário livre (antes das 20h). As redes podem
exibir todo tipo de programação, a qualquer hora.
A vitória da
Abert se deu às vésperas do prazo máximo para que as TVs passem a
cumprir as novas regras de classificação de programas, elaboradas pelo
Ministério da Justiça. A intenção das TVs foi anular o efeito da
portaria de classificação de programas publicada pelo Ministério da
Justiça (MJ) em fevereiro.
A portaria 264 entra em vigor no dia
13 e determina horários para programas inadequados a crianças e
adolescentes (após as 20h para maiores de 12 anos, 21h para 14, 22h
para 16 e 23h para 18).
A portaria também exige que as TVs
respeitem os diferentes fusos horários do país. Diferentemente do que
ocorre hoje, a novela classificada para 21h, por exemplo, não pode ir
ao ar às 19h no Acre (18h no horário de verão).
Críticas
A
decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de desobrigar as redes de
televisão a exibir a programação em horário determinados pelo governo
foi duramente criticada por entidades ligadas aos direitos da criança e
do adolescente no mês passado.
José Elias Romão, diretor do
departamento de classificação da MJ, afirmou que, sem a obrigatoriedade
dos horários, as redes de TV ficam sem controle, e a infância,
desprotegida.
Para o sociólogo e professor de comunicação da USP
Laurindo Lalo Leal Filho, a movimentação das redes de TV para barrar
classificação indicativa na TV aberta é "uma demonstração pública do
atraso cultural do país".
A Comissão de Direitos Humanos e
Minorias também soltou nota contrária ao mandado do STJ, assinada pelo
seu presidente, o deputado Luiz Couto (PT-PB). Para a comissão, a
decisão dá às TVs "o privilégio de estar acima das normas e princípios
constitucionais que garantem a proteção da criança e do adolescente."
Já
Flávio Cavalcanti Jr., diretor-geral da Abert (Associação Brasileira de
Emissoras de Rádio e TV), defendeu os radiodifusores. Ele disse que "as
TVs continuarão a fazer o que sempre fizeram", com critérios próprios
para determinar os horários de exibição, e que comunicarão a faixa
etária dos programas "para que os pais decidam o que o filho deve ver".























