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Deputados querem reservas cambiais financiando exportação

Publicado em 27/11/2006 16:53

Agência Câmara

Agência Câmara

Um grupo de deputados da Comissão Mista de Orçamento e o relator do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2008, deputado João Leão (PP-BA), estudam uma forma de usar parte das reservas cambiais no financiamento aos exportadores brasileiros. O objetivo é incluir no texto da LDO um mecanismo para possibilitar esse tipo de operação.

"Isso seria o PAC da exportação", disse João Leão, logo após audiência pública hoje com o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, sobre a LDO. Segundo o deputado, o estudo é preliminar e não foi apresentado ao governo. Mas ele garante que há apoio dos integrantes da comissão.

As reservas cambiais correspondem ao montante de moeda estrangeira (principalmente dólar e euro), ouro e títulos depositados no Banco Central (BC) usado para cobrir compromissos internacionais, seja de empresas, de investidores ou do próprio país. No final da semana passada, elas chegavam a 122,4 bilhões de dólares (o equivalente a cerca de R$ 244,8 bilhões).

Repasse
É esse "colchão de segurança" que os deputados querem usar para ajudar as exportações, hoje prejudicadas pela queda do dólar. No repasse, o BC poderia usar a intermediação do Banco do Brasil ou do BNDES, segundo João Leão.

De acordo com o relator, esse uso das reservas seria duplamente vantajoso: por aumentar a competitividade dos serviços e dos produtos brasileiros; e porque as reservas têm uma baixa remuneração anual e emprestá-las ao setor privado poderia gerar maiores dividendos.

Durante a audiência, deputados como Ricardo Barros (PP-PR) e Paulo Rubem Santiago (PT-PE) sugeriram que parte das reservas seja usada na amortização da dívida pública interna. Paulo Bernardo criticou a idéia por considerar que isso aumentaria a inflação, pois elevaria a quantidade de moeda na economia, forçando uma subida dos preços.

Emendas
O dispositivo sobre o financiamento aos exportadores só seria acrescentado no relatório final, previsto para ser apresentado pelo relator em 15 de junho. Amanhã ele deve apresentar o parecer preliminar ao projeto da LDO. O texto vai disciplinar a forma de apresentação de emendas parlamentares. João Leão adiantou que, em virtude de acordo de líderes, só serão aceitas emendas individuais.

As emendas de bancada poderão ser apresentadas ao Anexo de Metas e Prioridades - que neste ano, excepcionalmente, será feito no Congresso. Essa solução tem apoio dos líderes, segundo o relator.

O anexo é um dos itens obrigatórios da LDO, mas neste ano o governo não o enviou sob a justificativa de que não existe ainda o Plano Plurianual (PPA). A LDO pinça do PPA, que só chega ao Congresso em agosto, as prioridades do ano fiscal seguinte.

É nessa parte do texto também que os parlamentares mais apresentam emendas. Como deputados e senadores reclamaram da ausência do anexo, optou-se por incluí-lo no Congresso, como uma emenda do relator.

As consultorias de orçamento da Câmara e do Senado vão preparar o anexo com base nas ações do PAC e do Projeto Piloto de Investimento (PPI) para 2008. Além disso, pode ser definido um teto financeiro - ou seja, o anexo contemplaria prioridades até um determinado valor global.

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