As lições de Reino Unido e França
Publicado em 27/11/2006 16:53
A derrocada do trabalhista Tony Blair no Reino Unido e a vitória do conservador Nicolas Sarkozy na França trazem lições para os partidos brasileiros. Uma delas é a convergência cada vez maior para o centro do espectro político.
Embora nem sempre ouvido pelo seu partido, o prefeito do Rio, César Maia (Democratas, ex-PFL), faz boa análise em seu boletim pela internet hoje. Basicamente, Maia (mais uma vez) ressalta a fragilidade do discurso liberal contra impostos. Não que esteja errado, na essência, esse tipo de proposta --até porque os impostos são absurdos num país pobre como o Brasil. Ocorre que esse tipo de discurso, apenas, não dá hegemonia política a ninguém.
O ex-PFL está agora centrando fogo (tardio) numa campanha contra CPMF e vive usando o discurso contra os impostos em suas propagandas políticas. Pode ser apenas dispersão de energia. Já o PSDB... bem, os tucanos nem contra os impostos têm falado.
Do ponto de vista estratégico, Lula segue em frente com suas políticas sociais assistencialistas e com o PAC, que nada mais é do que irrigar a economia com o dinheiro estatal (embora a coisa esteja meio parada). O PMDB, oportunista, entrou de cabeça nesse projeto.
Abaixo, trechos do boletim de César Maia:
NOVAS REFERÊNCIAS PARA O DEM -democratas brasileiros!
Estarão de olho em Sarkozy -na França e em Cameron -na Inglaterra!
1.
Um artigo de Daniel Cohen -traduzido por este Ex-Blog (Os Limites da
Clivagem Direita/Esquerda), apoiado numa pesquisa publicada pelo Nouvel
Observateur durante as eleições, mostrava que o corte
-direita/esquerda- já não servia para 40% dos eleitores franceses. E
mostrava que um importante segmento, que ele chamou de "desconfiados"
-que é conservador no terreno cultural -valores- (lei, ordem, costumes,
família)- o era também no campo econômico. E sublinhava: "Esta confusão
decorre, contudo, também de uma outra especificidade: a direita
francesa não é na realidade liberal no sentido econômico da palavra".
Com este corte -não liberal nos valores e não liberal na economia,
Sarkozy venceu as eleições e atraiu os "desconfiados".
2.
As eleições municipais na Inglaterra esta semana confirmaram o que as
pesquisas vem repetindo. Blair se desgastou, será substituído por Brown
e os Tories (conservadores) abrem maioria de opinião publica e nas
próximas eleições tendem a ocupar o governo. Seu jovem líder -David
Cameron- apontou em direção a uma visão econômica não liberal, não
thatcherista, e trocou a demonização do Estado, por uma gestão adequada
para os mesmos fins. O destaque, que surpreende a muitos é que isso
vale para o sistema de Previdência Social britânico, elogiado por
Cameron em seus objetivos. Cameron repete Sarkozy, ou vice-versa:
conservador nos valores, mas não liberal na economia. Os Tories
chegaram a conclusão que se iludiram com a critica aos impostos. A
ilusão não se refere ao mérito, mas a terem sobre-estimado o peso
político da mensagem -menos impostos.
3. A maior
novidade -quanto a mensagem- na eleição presidencial francesa, foram
as insistentes afirmações de Sarkozy: - A França tem que negar e
superar "Maio de 1968". Ou seja, negar os valores de maio de 1968 que
eram a negação das tradições, individualismo radical, liberalidade
quanto aos costumes, negação da família como núcleo matriz da
sociedade, instituições voláteis, etc...
4. Enquanto os analistas convergiam que esta eleição superava o ciclo gaullista, Sarkozy ia mais longe negando maio de 1968.
5.
Tories e UMPistas -liderados por Cameron e Sarkozy, colocam para os
partidos que se situavam no espectro político à direita, novas idéias,
novos desafios, novos tempos. Alhures e aqui, certamente!























