Anistia Internacional aponta deficiências na política de segurança brasileira
Publicado em 27/11/2006 16:53
Flavia Martin
Da Agência Brasil
Rio de Janeiro - A organização de direitos humanos
Anistia Internacional divulgou hoje (2) um relatório apontando
as falhas nas políticas públicas de segurança
brasileiras. O estudo é feito a partir da análise de
dois episódios violentos que ocorreram no ano passado: os
ataques a policiais e civis no estado de São Paulo, que
completa um ano neste mês, e que matou quase 500 pessoas, e a
noite violenta no Rio de Janeiro em dezembro do ano passado, que
vitimou 19 pessoas, entre elas os sete passageiros de um ônibus
que foi incendiado.
O relatório, intitulado “Entre o
ônibus em chamas e o Caveirão: em busca da segurança
cidadã”, defende uma política de segurança
inclusiva e que respeite os direitos humanos, obedecendo ao código
de conduta da Organização das Nações
Unidas (ONU). Segundo o estudo, as medidas tomadas após
episódios de violência, como os analisados, ainda são
muito repressivas e violentas.
O uso do veículo
blindado da Polícia Militar, conhecido como “Caveirão”,
nas favelas, também é questionado pelo levantamento da
Anistia Internacional, que afirma que as incursões são
feitas de forma violenta, colocando em risco a vida de todos da
comunidade e, inclusive, a dos policiais.
Um dado analisado no
relatório é a crescente influência das milícias,
grupos formados por policias e bombeiros licenciados, que garantem a
segurança, além do fornecimento de gás e TV a
cabo, às comunidades carentes do Rio de Janeiro, por meio de
extorsão. Segundo dados da Prefeitura do Rio, estima-se que 92
das 500 favelas do Rio de Janeiro estejam sob o comando desses
grupos.
De acordo com o texto divulgado hoje, os abusos
cometidos pelos grupos milicianos teriam causado revolta nos
traficantes, os quais promoveram os ataques que mataram as 19 pessoas
em dezembro de 2006.
Antes de ser empossado como o deputado
estadual, Marcelo Freixo (PSOL), atualmente membro da Comissão
de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio de
Janeiro (Alerj), integrava a ONG Justiça Global, que
contribuiu com as pesquisas que deram origem ao relatório.
Segundo o parlamentar, o Estado deve estar presente nas comunidades
carentes, fornecendo serviços básicos, como educação
e saúde, para prevenir a violência.
“A essência
das propostas [do relatório] é de uma política
pública de segurança que respeite todas as pessoas e
que faça com que o Estado seja um instrumento de cumprimento
da lei e não de violação dela, ampliando a
possibilidade do policiamento comunitário. O Estado tem que
entrar nas favelas e tem que se fazer presente com educação,
com saúde. Que a polícia seja mais um instrumento da
garantia da cidadania e não mais um instrumento da guerra. O
lugar que não tem saúde nem educação tem
violência”, disse Freixo.
No resto do país, o
relatório observa que houve um aumento no número de
homicídios entre os anos de 1994 e 2003, o que colocou o
Brasil no 4o lugar mundial em relação à
taxa de homicídios, que hoje é de 27 para 100.000
habitantes. Outro dado apontado foi o do crescimento da violência
em pequenas cidades do interior, como nos estados do Mato Grosso,
Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Pará e Goiânia.
Nessas cidades, a ausência de policiamento eficaz seria a
principal causa.























