A agenda da Saúde
Publicado em 27/11/2006 16:53
O novo Ministro da Saúde José Gomes Temporão é peso pesado. Talvez
desde José Serra o Ministério não tenha encontrado pessoa do seu
calibre. Milita há trinta anos na saúde pública, desde 2003 no atual
governo, como diretor do INCA (Instituto Nacional do Câncer) acabando
com os problemas que surgiram com as filas de transplante.
Os pontos centrais de seu pensamento segurem as modernas linhas da
saúde pública mundial, e dos sanitaristas brasileiros em particular –
que constituem uma das melhores categorias profissionais do país.
Uma primeira questão é a dimensão da promoção da saúde. O
Ministério da Saúde é, na verdade, o ministério da doença, diz ele,
porque o Brasil não tem política de saúde. Com isso ficam de fora
pontos centrais que interferem na saúde, como classes de renda,
trabalho, acesso à moradia, cultura, saneamento.
Há a necessidade de se trabalhar políticas inter-setoriais, montando
interfaces entre saúde e habitação, saúde e saneamento. Por exemplo, os
investimentos do PAC em habitação, saúde e saneamento terão um impacto
brutal sobre a saúde pública.
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Temporão defende que passe a se trabalhar políticas
inter-setoriais, com interfaces entre saúde e habitação, saúde e
saneamento. O próprio PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) terá
impacto sobre saúde pública, com seus investimentos em saneamento.
Sua idéia é criar um grande movimento nacional de promoção da
saúde. E, aí, acaba se enveredando por temas espinhosos, mas
fundamentais.
Anualmente 35 mil brasileiros morrem por acidente de trânsito, diz
ele. O que está por trás? Estradas com má sinalização, sem dúvida. Mas
fundamentalmente uso de álcool e outras drogas, e falta de informação e
educação do motorista. Em relação ao álcool, Temporão considera
inevitável que se restrinja o consumo de bebida em estrada.
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No mundo inteiro, saúde é dos setores que mais cria riqueza,
conhecimento e emprego. Ao contrário dos bancos e da indústria
automobilística, em que se reduz o emprego pelo uso da automação, a
saúde é um mercado de trabalho em franca expansão. A população está
envelhecendo mais rapidamente. Daqui a vinte anos, serão 30 milhões de
brasileiros com mais de 60 anos, mais doença crônica, e mais pessoas
para cuidar dessa população, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos,
com empregos mais qualificados que a média.
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Há uma dimensão ainda mais relevante que é o da pesquisa. Hoje a saúde
responde por 8 a 10% do PIB. Nos hospitais, clínicas e consultórios são
2,5 milhões de empregos diretos. Mais indústria farmacêutica,
fabricantes de vacinas, reagentes e material hospitalar, são mais 300
mil, com muitos engenheiros. Além disso, já uma vulnerabilidade
crescente na balança comercial do setor. No final dos anos 80 o déficit
comercial era de US$ 600 mi, hoje atinge os US$ 5 bi/ano.
Metade do mercado de equipamentos médicos é público, assim como 25% do
mercado de medicamentos (que movimenta US$ 10 bi ano). O desafio do
Ministério será o de articular a capacidade de compra com o Ministério
de Ciência e Tecnologia na parte de pesquisa e desenvolvimento e com o
BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) na parte
de financiamento.























