Unesco constata corrupção generalizada em sistemas educacionais no mundo
Publicado em 27/11/2006 16:53
A
corrupção é um fenômeno generalizado nos sistemas educacionais do mundo
e tem um custo alto, segundo um relatório da Organização das Nações
Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Os
analistas Jacques Hallak e Muriel Poisson, do Instituto Internacional
de Planejamento Educacional (IIPE), são os autores do estudo
apresentado hoje na sede da Unesco em Paris.
O documento indica
que a corrupção na educação e em setores afins como o editorial, a
construção e a alimentação "prejudica seriamente os sistemas
educacionais no mundo".
Má gestão de fundos, licitações públicas
adulteradas, fraudes nas provas, percepções ilegais de direitos de
matrícula, subornos e corrupções em contratações e promoções fazem
parte dos crimes mais freqüentes, de acordo com o relatório.
No
ensino superior, os tipos de corrupção também são variados e vão desde
fraudes na educação à distância a títulos imaginários e universidades
fictícias, cujos números passaram de 200, em 2000, a 800 em 2004.
O
objetivo do estudo "não é denunciar, mas ser útil", disse à agência Efe
Hallak, após indicar algumas conquistas obtidas na América Latina,
região na qual "há grandes problemas" em matéria de corrupção e
educação, admitiu o pesquisador.
"Não somos agentes da Polícia
nem da Justiça". O objetivo é "ajudar os países em desenvolvimento", e,
para isso, tentam "mostrar que há um problema, mas também há países que
encontraram soluções", explicou Hallak.
Sobre o Brasil, o
pesquisador destacou o "Programa Dinheiro Direto na Escola", do Governo
Federal, no Rio Grande do Sul. A iniciativa descentraliza e aumenta a
transparência na gestão dos recursos financeiros escolares, o que dá
mais poder à escola.
O analista falou sobre o trabalho "muito
importante" no Chile em relação à alimentação dos estudantes, com um
sistema de programação "centralizado, totalmente transparente e bem
aplicado", que economiza e leva em conta as diferentes necessidades
nutricionais e de transporte do país, de 5 mil quilômetros de extensão.
Na
Argentina, o 'Pacto de Integridade' produz "resultados formidáveis".
Desde 2003, o Ministério da Educação, produtores de manuais, uma
comissão independente e a ONG Transparência Internacional se uniram
para seguir um código de conduta na distribuição de três milhões de
livros escolares ao ano.
O representante do IIPE mencionou ainda
o "trabalho fundamental" realizado pelo Ministério da Educação
colombiano entre 1998 e 2003 em Bogotá.
Neste período, o órgão "enxugou a lista de professores e economizou 15% em despesas".
Agora,
há "menos falsos professores, menos ausências e promoções
injustificadas e menos aposentadorias manipuladas" na Colômbia, graças
à maior transparência e ao acompanhamento do professorado.
Honduras
é um dos países citados no relatório como exemplo a não ser seguido. No
país, descobriu-se que os fundos destinados a docentes fantasmas
representam 5% da relação total do quadro de professores.
Além
de analisar a natureza e a magnitude da corrupção na educação - tanto
em países pobres como nos ricos -, o novo relatório do IIPE calcula o
custo dos desvios para a sociedade em seu conjunto e define meios para
corrigir o problema.
Segundo o diretor-geral da Unesco, Koichiro
Matsuura, o trabalho é "um apelo à ação", pois a "corrupção
generalizada custa bilhões de dólares" e prejudica os esforços na busca
de uma Educação Para Todos, um dos Objetivos do Milênio da ONU.
A
maior transparência das regras é uma das medidas sugeridas pelos
analistas, assim como um reforço das capacidades de gestão para
melhorar a prestação de contas e mais participação popular na gestão.
"Mas
os fatores que têm uma influência mais decisiva na luta contra a
corrupção são a capacidade de gestão e a vontade política nas mais
altas esferas governamentais", frisaram Hallak e Poisson.
O
documento "Corrupt schools, corrupt universities: What can be done?"
(Escolas corruptas, universidades corruptas: o que pode ser feito?) é
fruto de vários anos de investigação sobre "Ética e corrupção".























