Sexo e Dinheiro
Publicado em 27/11/2006 16:53
Ao contrário do que o título possa sugerir, não se vai tratar aqui de
atividades que vinculem o sexo à dinheiro, mas de gênero - no caso, o
feminino - e de renda, ou melhor, riqueza. Pois esse é o sentido do
artigo auspicioso para as mulheres publicado na edição de 14 de junho
da revista The Economist, sob o título "Sex and Money".
Tem como gancho a projeção do Centro de Pesquisas Econômicas e de
Negócios (CEBR), um conceituado instituto sediado em Londres, de que em
2020 (portanto, dentro de treze anos) a quantidade de mulheres
milionárias na Grã-Bretanha vai superar a de homens e de que em 2025 as
mulheres britânicas vão controlar 60% da riqueza privada do país. "Elas
se saem melhor na escola e na universidade, e vivem mais", diz o The
Economist, complementando: "o poder feminino, parece, nunca esteve tão
bem".
Na mesma semana, a Economist Intelligence Unit (EIU)- um braço da
The Economist - em relatório elaborado para o Barclays Wealth, a
unidade de administração de recursos do banco Barclays, concluiu que
casamento, herança e divórcio, fontes históricas de riqueza para as
mulheres, foram substituídas por outras fontes: renda independente,
investimentos e propriedade na esfera dos negócios.
Ou seja, estaria prevalecendo a riqueza como fruto de uma vida de
sacrifício, suor e lágrimas, mas muito mais digna e satisfatória para
as mulheres inteligentes, capazes e batalhadoras que nasceram na
segunda metade do século XX.
O relatório do EIU atesta que mais de 80% das mulheres, hoje, obtêm sua
riqueza de ganhos pessoais. Ou seja, de seus próprios negócios. O
divórcio, fonte tradicional da prosperidade do sexo feminino, é
apontado (na pesquisa do EIU) por apenas 2,9% das mulheres nos
questionários sobre a principal fonte da riqueza.
Há, porém, controvérsia naqueles achados. O artigo do The Economist
diz que Philip Beresford, responsável pela lista dos ricos do jornal
Sunday Times, não acredita na idéia de que as mulheres estejam
quebrando padrões independentemente dos homens. Para ele, a maioria das
milionárias britânicas ainda são esposas, filhas ou divorciadas. Ou
seja, essas condições ainda respondem pela riqueza das mulheres.
De fato, a situação das mulheres no mundo empresarial ainda é
claudicante. Nas empresas que compõem o FTSE-100, as mulheres
representam apenas um décimo no universo de diretores. quanto mais se
desce na escala de renda, maior o "gap". A diferença de rendimentos
entre homens e mulheres é maior na camada dos 10% mais pobres na
Grâ-Bretanha.
A Comissão para Oportunidades Iguais, segundo a The Economist, acredita
que serão necessários mais 60 anos para que haja equalidade entre os
sexos nas empresas britânicas. O artigo termina com a assertiva de que
"é ainda difícil ser mulher".
De fato, não é fácil. Além das diferenças de salário e de
oportunidades, o público feminino ainda tem de enfrentar o preconceito
que se enraiza em visões e atitudes machistas propagadas em todos os
lugares, setores, classes sociais, enfim... Mas, mesmo assim, vale à
pena ser mulher neste mundo em transformação!























