OMC decide que ambiente é mais importante que "livre comércio"
Publicado em 27/11/2006 16:53
Mylena Fiori
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A Organização Mundial do Comércio (OMC) acatou os argumentos
brasileiros e autorizou o país a manter a proibição de entrada de pneus
reformados europeus. O governo brasileiro proibiu em 1991 a importação
de pneus reformados e usados, pelos efeitos no meio ambiente do excesso
de lixo. E também pelo risco à saúde formado pelo acúmulo de água nos
pneus, que pode servir para procriação do mosquito Aedes Egypti, que
transmite a dengue.
A proibição de importação de pneus
reformados europeus vinha sendo questionada pela União Européia, junto
à OMC, desde janeiro do ano passado. Os europeus alegavam que trata-se
de barreira comercial com a finalidade de proteção da indústria
nacional. O argumento não foi aceito pela OMC. É a segunda vez desde a
criação da OMC, em 1995, que o órgão aceitou a tese ambiental e de
saúde. O outro caso foi quando a França proibiu a importação de amianto
do Canadá, alegando defesa de saúde pública. O Canadá recorreu à OMC,
que decidiu em favor do governo francês.
"O Brasil recebeu com
grande satisfação as determinações. O Painel (da OMC) considerou que a
medida brasileira não só se justifica, mas é necessária para a proteção
da saúde humana e do meio ambiente”, avaliou o sub-secretário geral de
Assuntos Econômicos e Tecnológicos do Ministério das Relações
Exteriores, Roberto Azevedo.
Embora proibida desde 1991, a
importação de pneus usados por reformadores brasileiros vem sendo
autorizada judicialmente, por meio de liminares. Apenas no ano passado,
7,6 milhões de carcaças entraram no país – 98% vieram de países
europeus. "O painel entendeu que estes volumes comprometem o objetivo
de reduzir o acúmulo de resíduos de pneus no Brasil", explica Azevedo.
Segundo
ele, a OMC também entendeu que estas importações são discriminatórias
pois beneficiam o reformador de pneus brasileiro em detrimento do
reformador estrangeiro – tal discriminação é incompatível com as regras
multilaterais de comércio. “Se o Brasil pretende efetivamente manter a
proibição das importações de pneus reformados da Europa ou de qualquer
outro país, tem que fechar esta porta. Para fechar a porta dos
remoldados precisamos fechar, também, a porta da importação da
carcaça”, resume o diplomata.
A partir de hoje, a União Européia
tem de 20 a 60 dias para recorrer da decisão da OMC. Depois disso, o
Brasil tem mais cerca de 30 dias para indicar como pretende adequar
suas medidas às disciplinas multilaterais de comércio e em que prazo
fará isso.























