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O vigor do PIB

Publicado em 27/11/2006 16:53

Blog Maria Clara do Prado

Blog Maria Clara do Prado

Uma expansão maior da economia brasileira, que parecia impossível há pouco mais de seis meses, parece estar se consolidado para 2007, conforme os números do PIB divulgados hoje pelo IBGE que apontam crescimento de 4,7% no primeiro trimestre do ano sobre o mesmo período de 2006.

Algumas importantes indicações podem ser extraídas dos resultados anunciados. Ressalte-se, primeiro, o fato do consumo interno ter assumido o papel de destaque entre os fatores que puxam o crescimento do PIB brasileiro. Isso já era esperado. O consumo das famílias aumentou em ritmo proporcional à queda da inflação (que coloca mais poder aquisitivo no bolso das pessoas), à valorização do real face ao dólar (que barateia o preço dos importados) e à expansão da massa de financiamento à pessoas físicas que em termos nominais foi ampliada em 24,6% quando se compara os primeiros três meses de 2007 com o mesmo período de 2006.

Como se vê, os números provam que o câmbio está diretamente atrelado à manutenção da estabilidade. Mas outro fator deve ser mencionado: na medida em que os juros caem, mais tende a aumentar o volume de crédito destinado ao consumo privado.

Note-se que também tem pesado na demanda que impulsiona do PIB a larga participação do consumo do setor público que continua funcionando como importante sorvedouro da poupança nacional.A face ruim disso é que envolve gastos correntes de governos, sem agregar portanto base para futuras expansões do produto nacional.

Tudo isso reforça a primazia do setor serviços, cuja expansão de 4,6% no primeiro trimestre sobre o mesmo período de 2006, ficou bem além dos 3% de expansão do produto industrial e dos 2,1% observados com o produto agropecuário.

A indústria tem se queixado do crescimento do setor, que considera medíocre, apontando a valorização do real como o mal maior de seus problemas. De fato, quando o valor da moeda local fica mais barato em relação ao dólar significa que os preços dos produtos importados se tornam mais accessíveis para os consumidores da classe média e média baixa em comparação com os produtos produzidos internamente.

Não à tôa as importações cresceram de forma substancial na média comparativa dos primeiros trimestres de 2006 e de 2007, ultrapassando as exportações. Mas vale lembrar que não apenas de bens de consumo (principalmente não duráveis) tem se alimentado o crescimentom das importações, uma vez que também tem pesado as compras de bens de capital (máquinas e equipamentos) de outros países.

É maquinário usado na implantação de novos projetos industriais ou na ampliação de projetos já existentes que tendem a influenciar em uma melhor posição do setor industrial a médio prazo.

De tudo o que se ouviu do IBGE sobre os novos dados do PIB ficam duas certezas: uma delas é a certeza de que a economia brasileira vive um momento de "boom" com a perspectiva concreta de crescer 4,5% ou até 5% este ano se as condições externas continuarem favoráveis e, outra certeza, é a de que não faz muito sentido comparar o Brasil com a China ou com a Índia.

O padrão característico da economia do país, já testado há pelo menos 50 anos, é de crescimento puxado pelo mercado interno e não pelo mercado externo. Nessa linha, faz mais sentido comparar o Brasil com os Estados Unidos, procurando tirar proveito de parcerias com o mercado norte-americano do que ficar mirando os exemplos das economias chinesa e indiana cujas raízes políticas, culturais, religiosas, filosóficas e históricas nada têm a ver com a cara do Brasil.

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