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Novas regras do BC contêm ritmo, mas não queda do dólar

Publicado em 27/11/2006 16:53

Reuters

Por Nathália Ferreira

SÃO PAULO (Reuters) - As novas regras do Banco Central para as operações de câmbio terão efeito limitado sobre as cotações. Para analistas, a tendência de queda do dólar está mantida, ainda que possa ser mais lenta a partir de agora.

Na noite de sexta-feira, o BC apertou os limites de exposição cambial dos bancos com medidas que entram em vigor imediatamente ou em 2 de julho. As mudanças ocorrem no momento em que o dólar é negociado abaixo de 2 reais e perto do menor nível em mais de seis anos.

"É meio inócuo. Vai ter uma correção, o mercado vai tentar dar uma puxada... mas o mercado já vinha reduzindo a exposição cambial até por causa do movimento externo", avaliou Francisco Carvalho, gerente de câmbio da corretora Liquidez, citando as preocupações com inflação e taxas de juro maiores nos Estados Unidos e na zona do euro.

"Continua uma tendência de queda (do dólar frente ao real), a única coisa é que pode cair menos. Vai diminuir um pouco a volatilidade", completou Carvalho.

Nesta sessão, a moeda norte-americana recuava 0,41 por cento, a 1,952 real.

Miriam Tavares, diretora de câmbio da AGK Corretora, também avalia que o principal impacto das medidas deve se dar na velocidade de queda do dólar.

"No médio e longo prazos, a tendência é a mesma. O que muda mesmo é que talvez (o dólar) não tenha tanto fôlego para ir a 1,80 (real) como alguns economistas imaginavam", afirmou ela, acrescentando que mantém a projeção de dólar a 1,97 real no fim do ano.

De janeiro para cá, o dólar acumula queda em torno de 8,5 por cento, ante recuo de 1,5 por cento no mesmo período do ano passado.

A economista lembrou, como o patrimônio líquido de referência de cada banco é diferenciado, "os grandes bancos têm uma folga".

IMPACTO NOS BANCOS PEQUENOS

Para o economista-chefe do ABN Amro para América Latina e ex-diretor do BC, Alexandre Schwartsman, apenas os bancos de pequeno porte com posições compradas ou vendidas em câmbio devem ser afetados de forma significativa.

Schwartsman lembrou que, se um banco detém posição vendida no mercado à vista de dólar e comprada no futuro, para arbitrar entre as taxas local e internacional, a exposição líquida é zero. "Em outras palavras, em uma situação em que os bancos estão apenas fazendo arbitragem... as medidas não têm efeito", apontou em relatório.

Se, no entanto, houver uma aposta em uma única direção do câmbio, "o impacto vai depender do tamanho do banco" e, segundo o economista, esse tipo de aposta nas grandes instituições representa uma parcela muito reduzida.

As medidas do BC incluem redução do limite de exposição cambial dos bancos de 60 para 30 por cento do patrimônio de referência e elevação de 50 para 100 por cento do requerimento de capital incidente sobre a exposição.

Além disso, a exposição cambial de um banco no exterior será adicionada à exposição líquida do mesmo conglomerado no país.

Vladimir Caramaschi, economista-chefe da Fator Corretora, ponderou que muitos bancos não operavam no limite de exposição cambial. "Não acredito que tenha muita gente precisando zerar (posição). Com certeza não é algo que mude tendência, gera um ajuste no curto prazo, mas que não se sustenta."

Os funcionários do BC estão em greve desde o começo de maio e, por isso, muitos dados estão desatualizados. Os mais recentes mostram que, no fim de abril, os bancos sustentavam posição vendida em dólar em 7,516 bilhões de dólares.

"O mercado vai se mover muito mais em função dos juros lá fora, do que em função dessas mudanças", completou Caramaschi.


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