No G8, Brasil e México se empenharão ao máximo em debates sobre clima e comércio
Publicado em 27/11/2006 16:53
Brasil e México chegarão nesta semana à reunião de cúpula do G8 na
Alemanha, para a qual foram convidados como duas das cinco economias
emergentes, com o objetivo de discutir dois temas cruciais: o
aquecimento global e a rodada de Doha da Organização Mundial do
Comércio (OMC) para a liberalização do comércio.
Ao
lado de China, Índia e África do Sul, os dois representantes
latino-americanos participam desde 2005 das reuniões dos oito países
mais poderosos do planeta (Estados Unidos, Alemanha, França,
Grã-Bretanha, Itália, Canadá, Japão e Rússia), mesmo sem chegar a
formar o que por alguns é chamado de G13.
Embora não se
vislumbre em um futuro próximo uma ampliação do Clube dos Ricos, entre
outras razões pela oposição de alguns líderes como a chanceler alemã
Angela Merkel, o certo é que as cinco potências têm cada vez mais peso.
Sua
influência não é nada desprezível no cenário internacional, onde tentam
defender seus interesses mútuos por meio de pressões e alianças.
Apesar
das várias metas comuns entre estes cinco convidados, cada um leva
consigo suas próprias reivindicações, que nem sempre coincidem.
Quanto
ao aquecimento global, tema de destaque para a anfitriã Angela Merkel
na reunião que será realizada de 6 a 8 de junho no balneário de
Heiligendamm, o Brasil defenderá o uso dos biocombustíveis como meio
para reduzir a emissão de gases poluidores.
O presidente
brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, tentará destacar "o vínculo
existente entre as mudanças climáticas, a energia e o combate contra a
pobreza", declarou há alguns dias em Brasília seu porta-voz Marcelo
Baumbach.
Este planejamento ecológico conta com o apoio de
muitos países latino-americanos, como Colômbia, Peru, Equador e Chile,
entre outros. Porém tropeça na oposição de Cuba, que considera que a
proposta reduz a extensão dos terrenos destinados aos alimentos, e
suscita o receio da Venezuela, para a qual os biocombustíveis não são
mais que "complementares".
Merkel tentará atrair os membros do
G8 para sua causa: impedir um aumento de mais de dois graus Celsius em
relação à temperatura de 1990. Para atingir este objetivo propõe a
redução pela metade das emissões de gases que provocam o efeito estufa
antes de 2050, também em relação às de 1990.
Tanto Brasil quanto México defenderão a proteção da biodiversidade e seus ecossistemas.
Em
uma reunião preparatória para o G8, realizada em março na cidade alemã
de Potsdam, as delegações brasileira e mexicana asseguraram que seus
países se empenhariam na luta contra o aquecimento global e a
destruição da biodiversidade a partir de uma "lógica econômica".
Do
México até a Amazônia, a savana ganha terreno e a desertificação ameaça
a segurança alimentar da América Latina, segundo um relatório de
especialistas em impactos das mudanças climáticas divulgado em abril.
Brasil e México já deixaram claro que estão dispostos a fazer concessões.
"Podemos
apresentar nosso plano de diminuição de emissões em relação às
florestas (...) o México também tem os seus, como são os relacionados à
diminuição das emissões dos transportes", adiantou após a reunião de
Potsdam o chefe da delegação brasileira, André Correa do Lago.
Quanto
à defesa da Rodada de Doha da OMC, que não sai do estado de coma em que
se encontra, o Brasil é a principal voz dos emergentes.
Esta questão será abordada em um amplo diálogo entre os líderes dos 13 países que participam da reunião de cúpula.
O
Brasil poderá utilizar o G8 como trampolim para chamar a atenção para o
estancamento das negociações às vésperas de uma reunião do G4 (Brasil,
Estados Unidos, União Européia e Índia) prevista para 19 de junho.
No
dia 22 de maio Lula insistiu com o primeiro-ministro britânico, Tony
Blair, defensor da ampliação do G8 para G13, que "o Brasil está mais
empenhado que nunca" em avançar nas negociações da rodada de Doha,
desde que não implique "a desindustrialização" dos países menos
desenvolvidos.
No dia seguinte, o presidente mexicano, Felipe
Calderón, transmitiu ao diretor da OMC, Pascal Lamy, o interesse de seu
país por "desempenhar um papel mais ativo na economia globalizada".
As
reivindicações dos dois países latino-americanos em Heiligendamm podem
passar despercebidas, empacadas nas tensões entre Europa e Estados
Unidos em relação às mudanças climáticas e entre estes dois últimos com
a Rússia em temas de geopolítica, o que poderá encaminhar a reunião de
cúpula para mais um fracasso.























