Lideranças e governo participam da primeira reunião da comissão de política indigenista
Publicado em 27/11/2006 16:53
Érica Santana
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Garantir a participação os índios na discussão das políticas
públicas voltadas para os povos indígenas, esse é principal objetivo da
Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI), que realiza hoje (4)
sua primeira reunião. Lideranças e representantes do governo discutem
neste primeiro encontro a aprovação do regimento interno da comissão e
a criação de câmaras técnicas que irão tratar do funcionamento do
colegiado, responsável por acompanhar as políticas públicas do setor.
A
comissão é formada por 20 representantes indígenas de diferentes
regiões e presidida pelo presidente da Funai. Ela também é composta por
dois representantes de organizações indigenistas e treze membros do
governo federal. A Comissão Nacional de Política Indigenista se reunirá
a cada dois meses em Brasília para realizar reuniões ordinárias e
poderá ser convocada extraordinariamente sempre que o presidente ou
dois terços dos membros a convocarem.
O presidente da Fundação
Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira, disse que o papel da comissão
é estimular a participação e o protagonismo dos índios na definição das
políticas indigenistas. "Estamos com a função de amadurecer essa
comissão, de fazer com que ela ganhe força, legitimidade e
credibilidade”, afirmou.
A comissão tem caráter consultivo e
temporário e foi instituída em 2006 com o objetivo de acompanhar as
ações dos órgãos do governo federal ligadas a questões indígenas e
também para monitorar a criação e atualização de leis relacionadas aos
índios. “O foco principal é que a gente possa ter um plano, uma
definição clara do que deve ser a diretriz geral de ação do governo,
dialogando com as organizações indígenas para garantir seus direitos
constitucionais e apontar medidas necessárias”, explicou Márcio Meira.
A
elaboração do anteprojeto de lei que cria o Conselho Nacional de
Política Indigenista também cabe a CNPI. No entanto, diferentemente da
comissão, esse o conselho terá caráter deliberativo, ou seja, suas
decisões deverão ser seguidas pelo governo federal.
O líder da
nação Caiapó, Akiabouro Caiapó, disse que é prioritário que a comissão
debata a preservação da floresta Amazônica, a construção de
hidrelétricas, a invasão e mineração em terras indígenas. “Tem muitas
propostas e problemas que o governo e o Congresso discutem que precisam
ser tratados pelos indígenas nessa comissão. Temos que ser ouvidos no
que o governo faz para os indígenas”, disse.
Caiapó espera que a
comissão defenda os direitos dos índios. “Nós vamos enfrentar mesmo
para derrubar qualquer decreto para ser melhor para o índio. Agora nós
estamos sabendo o que é bom para os índios”.























