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Investimentos da União em 2007 são os maiores dos últimos 7 anos

Publicado em 27/11/2006 16:53

Contas Abertas

Contas Abertas

A descoberta de fraudes envolvendo obras públicas parece não ter afetado o entusiasmo do governo em investir neste primeiro semestre do ano. Com o fechamento de maio, os investimentos da União nos cinco primeiros meses de 2007 já superam em 26,2% os do mesmo período de 2006, em valores atualizados pela inflação. De janeiro para cá, os órgãos federais desembolsaram R$ 5,1 bilhões com obras e compra de equipamentos, o maior montante dos últimos sete anos. Dessa quantia, R$ 1,3 bilhão foram investidos apenas no mês de maio.

Durante o primeiro mandato do governo Lula, a média anual de investimentos feitos nos cinco primeiros meses do ano foi de R$ 2,5 bilhões, ou seja, a metade do montante desembolsado de janeiro até agora. De 2003 a 2006, o recorde de gastos com construções e aquisição de maquinário foi atingido apenas no último ano de exercício, como é de costume, por conta da proximidade do pleito eleitoral.

O fato é que, ao contrário do que se espera dos primeiros anos de um “novo” governo, a pisada no acelerador já no primeiro semestre de 2007 fugiu dos padrões. Para se ter uma idéia, os investimentos feitos pela União este ano ultrapassam, em valores reais, inclusive os do último ano do governo de Fernando Henrique Cardoso, às vésperas das eleições. Nos cinco primeiros meses de 2002, FHC não fugiu à regra, tratou de correr e investiu R$ 5 bilhões (em valores atualizados pela inflação) antes de sofrer as limitações impostas pela lei eleitoral. Até então esse era o recorde na liberação de recursos, desde a entrada no novo século (veja tabela).

Apesar do clima favorável, do total investido pela União até agora, 87,8% serviram para pagar dívidas antigas, que por não serem quitadas no momento certo, acabam virando um peso a mais nas contas do ano seguinte. Isso significa que R$ 4,4 bilhões arcaram com a continuação de obras que foram iniciadas em 2006, mas até o final do ano ainda não haviam sido concluídas. Os outros R$ 615,1 milhões, esses sim foram aplicados em novos empreendimentos desenvolvidos já a partir de 2007 pelo Poder Público.

Em 2007, até agora, o campeão em investimentos é o Ministério dos Transportes, que concentra mais de 70% das ações do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), carro chefe do atual governo. Desde janeiro, a Pasta já investiu R$ 1,4 bilhão, quase 37% a mais do que a quantia desembolsada com a mesma finalidade até maio de 2006. Só nos últimos 30 dias, R$ 329,2 milhões foram injetados nas obras e compras de equipamentos relacionadas à melhoria do transporte no país.

Com a proximidade dos Jogos Pan-Americanos, o Ministério do Esporte foi outro que tratou de abrir o caixa para acelerar as obras do evento, que correm sério risco de não ficarem prontas até o início das competições. Em menos de um mês, os investimentos da Pasta esportiva mais do que dobraram, saltando de R$ 107,5 milhões no final de abril, para R$ 217,2 milhões agora no início de junho. Um verdadeiro empurrãozinho orçamentário na reta final para garantir o término das construções do Pan.

Além das duas Pastas, os Ministérios da Defesa e das Cidades completam a lista dos órgãos cujos investimentos ultrapassaram os R$ 100 milhões apenas no mês de maio. A Defesa, que engloba, por exemplo, o Comando da Aeronáutica, alvo principal da crise instalada no espaço aéreo brasileiro, investiu R$ 141,6 milhões só no mês de maio. Apesar dos “esforços” globais, a Pasta vem sendo criticada pela carência de investimentos no setor aéreo, um dos motivos que teria causado o colapso dos últimos meses.

Já o Ministério das Cidades investiu apenas em maio pouco mais da metade do que havia desembolsado com o mesmo propósito nos quatro primeiros meses do ano. Com a guinada, R$ 102,5 milhões foram investidos nas ações da Pasta, que já gastou R$ 288,6 milhões com obras e aquisição de equipamentos (veja tabela com os investimentos de janeiro a maio de 2007 por órgão federal).

Mariana Braga
Do Contas Abertas

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