Estados Unidos lideram corrida armamentista no planeta
Publicado em 27/11/2006 16:53
Os gastos militares dos EUA chegaram a 528,7 bilhões de dólares em 2006, valor que representa 46% do conjunto de todos os gastos militares no mundo. Chances de redução desses gastos são mínimas, diz instituto sueco, que prevê novos conflitos em função da escassez de gás e petróleo.
Marco Aurélio Weissheimer - Carta Maior
Os
gastos militares mundiais aumentaram 37% nos últimos 10 anos, chegando
a 1,2 trilhão de dólares. Os Estados Unidos seguem liderando a corrida
armamentista no planeta. Os gastos militares dos EUA chegaram a 528,7
bilhões de dólares em 2006, valor que representa 46% do conjunto de
todos os gastos militares no mundo. Os dados são do relatório anual do
Instituto Internacional para as Pesquisas sobre a Paz de Estocolmo
(SIPRI), divulgado nesta segunda-feira (11).
Segundo o relatório
do instituto, o aumento dos gastos militares nos EUA deve-se
principalmente às políticas relacionadas à “guerra mundial contra o
terrorismo”. A dimensão dos gastos militares norte-americanos fica mais
clara quando eles são comparados com os outros países que lideram o
ranking: Inglaterra, França, China e Japão, cada um com gastos
militares entre 4 e 5% do total global, em 2006.
As vendas de
armas também aumentaram no mundo. Segundo o SIPRI, elas cresceram 3% em
2005, com as empresas norte-americanas e européias liderando esse
mercado. Neste ano, essas empresas venderam cerca de 290 bilhões de
dólares em armas, valor que representa 92% do comércio global nessa
área.
Conforme a avaliação do instituto, as chances de uma
redução rápida dos gastos militares mundiais são mínimas, uma vez que
“o país do mundo que mais gasta no setor militar está em guerra”. O
relatório observa que a política do governo dos EUA, após os atentados
de 11 de setembro de 2001, provocou o aumento da demanda por parte do
Ministério da Defesa (em função das guerras no Afeganistão e no Iraque)
e também o aumento das exportações de armas. Em relação aos números
registrados em 2005, os gastos militares no mundo aumentaram 3,5% em
2006.
Ásia Central tem maior aumento de gastos
No ano
passado, o leste europeu foi a região que apresentou maior aumento de
gastos com armamentos (12%). Nos últimos dez anos, a Ásia Central
registrou o maior aumento (73%). Azerbaijão e Bielorússia tiveram os
maiores aumentos de gastos militares em 2006, com 82% e 56%,
respectivamente. A Rússia, quarto país na Europa atrás da Inglaterra,
França e Alemanha, também vem aumentando seus gastos. Em 2005, esses
gastos aumentaram 19% e, em 2006, 12%.
Ainda na Ásia, a China
superou o Japão e passou a ocupar o quarto lugar global do ranking de
gastos com armamentos, totalizando cerca de US$ 50 bilhões, contra US$
43,7 do Japão. No Oriente Médio, os países que lideram a corrida
armamentista são aliados dos Estados Unidos, o que motivou uma
observação crítica por parte do Instituto Internacional para as
Pesquisas sobre a Paz:
“Enquanto a mídia dedica grande parte de
sua atenção às compras de armas feitas pelo Irã, a maior parte delas
junto à Rússia, as transferências de armas feitas pelos Estados Unidos
e pela União Européia a países como Israel, Arábia Saudita e Emirados
Árabes Unidos são significativamente maiores”, afirmou o instituto,
principal monitor do comércio de armas hoje no mundo.
Gastos crescem desde 2002
Os
gastos mundiais com armamentos vêm crescendo de forma contínua desde
2002. Estados Unidos e Rússia seguem sendo os principais vendedores de
armamentos no mundo enquanto China e Índia figuram como os maiores
compradores. Os cinco países que comandam o Conselho de Segurança da
ONU (EUA, Rússia, China, França e Inglaterra) possuíam juntos, no
início de 2007, mais de 26 mil ogivas nucleares, o suficiente para
destruir o mundo várias vezes. Apesar do número de ogivas estar em
queda, esses cinco países estão trabalhando para renovar seus arsenais
nucleares, advertiu ainda o instituto.
O relatório sobre o ano
de 2006 confirma a tendência verificada no ano anterior pelo mesmo
instituto. Em 2005, os gastos dos EUA no Iraque e no Afeganistão
ajudaram a aumentar as despesas militares no mundo em 3,5 por cento,
alcançando 1,12 trilhão de dólares. Naquele ano, os EUA eram
responsáveis por 48% dos gastos mundiais em armamentos, seguidos à
distância por Inglaterra, França, Japão e China, que investiam de 4 a
5% cada um.
Esses cinco países totalizavam, portanto, em 2005,
68% dos gastos mundiais com armas, ficando os restantes 32% para a soma
de todos os demais países do mundo. Naquele mesmo ano, os gastos com
armas representaram cerca de 2,5% do Produto Interno Bruto Mundial, uma
média de despesas de 173 dólares per capita. A situação atual dos
conflitos no Iraque, no Afeganistão e no Oriente Médio não autoriza
previsões otimistas sobre o futuro.
Novos conflitos no horizonte
Segundo
a análise do SIPRI, a escassez de petróleo e gás em um futuro próximo
está alimentando a gestação de novos conflitos militares no mundo. E
esse risco não se restringe ao Oriente Médio. O relatório anual do
instituto afirma:
“Apesar de a maioria dos Estados considerarem
hoje o início de um conflito armado como uma medida extrema, é provável
que recursos energéticos provoquem conflitos internos, particularmente
na África. A importância estratégica de regiões ricas em reservas de
petróleo e gás vai certamente aumentar. Não somente no Oriente Médio,
mas África, Ásia Central, América do Sul e sudoeste da Ásia serão
potencialmente zonas de conflito nas próximas décadas". As preocupações
também são crescentes, acrescenta o relatório do instituto, por
acontecimentos externos como os ataques terroristas contra a
infra-estrutura energética e fenômenos climáticos. Em resumo, não
parece ser nada bom o que vem por aí.























