Doha: Emergentes vêem chance de acordo no final do ano
Publicado em 27/11/2006 16:53
Em uma nota divulgada pelo Itamaraty, o G20 – integrado pelo Brasil – e os demais grupos (entre eles o G33, que inclui a China) afirmam que estão "engajados em espírito positivo" no que consideraram ser a "possível fase final das negociações".
A nota enfatiza a necessidade de que as negociações da Rodada, que se arrastam desde 2001, tenham foco "na dimensão do desenvolvimento" dos países mais pobres.
Outro objetivo, segundo eles, deve ser o equilíbrio entre o interesse dos países em desenvolvimento, de maior abertura dos mercados agrícolas, e o interesse dos países mais ricos, que querem mais facilidade para exportar seus produtos industrializados e abertura na área de serviços.
"O equilíbrio dentro da agricultura e entre a agricultura e o acesso ao mercado não-agrícola deve ser garantido, com base no compromisso de fazer desta Rodada uma Rodada de desenvolvimento."
"Os ministros e altos funcionários esperam também que os principais países desenvolvidos demonstrem comprometimento, flexibilidade e vontade política de atingir resultado ambicioso e equilibrado", diz o comunicado.
Reunião
Representantes de Brasil, Índia, Estados Unidos e União Européia se reúnem a partir do dia 19 deste mês, na Alemanha, com o objetivo de encontrar um acordo para tornar realidade a liberalização do comércio mundial.
Os países em desenvolvimento cobram dos países ricos o fim dos subsídios aos seus produtos agrícolas e a abertura de seus mercados à produção agrícola dos países mais pobres.
Por outro lado, os países desenvolvidos condicionam essa concessão à abertura dos mercados dos países em desenvolvimento para os produtos industrializados e para serviços.
O Brasil, em particular, estuda se unir ao Canadá em uma denúncia apresentada pelo país na OMC (Organização Mundial do Comércio) contra os Estados Unidos devido aos subsídios mantidos pelos americanos a seus produtores agrícolas.
O pedido de investigação do Canadá será examinado pela OMC no dia 20 e pode influenciar as negociações na Rodada Doha.
Lula e Lamy
Ao participar na semana passada da Cúpula do G8, na Alemanha, o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, disse que um acordo na Rodada Doha está agora "ao alcance" e pediu aos líderes do G8 que "não deixem essa oportunidade escorregar por entre os dedos".
Lamy cobrou um "esforço adicional dos americanos" quanto à diminuição de seus subsídios, e também disse que os "europeus e o Japão terão que melhorar suas ofertas" na área agrícola.
O diretor-geral da OMC também cobrou dos países emergentes que aceitem "que a proteção a que eles têm direito não significa que não haverá aberturas adicionais" e que melhorem suas ofertas para o mercado de produtos industrializados.
Também na Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que as negociações são "como um jogo de pôquer". "Cada um está pedindo suas cartas e colocando as fichas na mesa, mas, em algum momento, todos vão ter que mostrar suas cartas", disse.























