Direção do PT entra na reforma política para impor voto em lista
Publicado em 27/11/2006 16:53
Por Ricardo Amaral
BRASÍLIA (Reuters) - A Executiva Nacional do PT vai exigir que os 83 deputados do partido apóiem a proposta de eleições de deputados e vereadores por meio de listas fechadas, substituindo o atual processo de escolha pelo voto direto do eleitor nos candidatos.
A decisão do PT poderá definir o processo de votação de reforma política na Câmara, que caiu num impasse por causa da divisão dos maiores partidos em torno da proposta do voto em lista, que condiciona outros pontos do projeto.
"A Executiva vai fechar questão sobre a reforma política, especialmente sobre o financiamento público de campanhas e o voto em lista fechada, sem os quais não se acaba com o caixa dois e a corrupção eleitoral", disse a jornalistas nesta segunda-feira o secretário de Comunicação do PT, Gleber Naime.
"A tendência da Executiva é mesmo fechar questão em torno da lista fechada, do financiamento público e da fidelidade partidária, de preferência por meio do convencimento dos deputados e sem necessidade de imposição", confirmou o líder do partido na Câmara, deputado Luiz Sérgio (RJ).
A decisão deve ser anunciada quinta-feira, segundo dia de uma rodada de discussões entre dirigentes e parlamentares do PT iniciada na tarde desta segunda-feira em Brasília. O PT tem precedentes de expulsão de parlamentares que não seguiram orientações da Executiva.
"Não vai ter liberação de bancada. Se vai haver crise ou desobediência de parlamentares contrários à lista, será um problema para a gente ver depois", afirmou Gleber Naime.
O principal argumento dos parlamentares contrários ao voto em lista é o de que o sistema transfere para as burocracias partidárias uma prerrogativa que seria, hoje, do eleitor.
"Defendo que o eleitor continue tendo o direito de escolher diretamente seus candidatos a deputado e vereador", disse o senador Eduardo Suplicy (SP) ao chegar para a reunião.
"A reforma que está sendo discutida não passa de um atalho. Querem impor o voto em lista sem discutir temas mais relevantes, como a reeleição para cargos no executivo ou a duração do mandato de senador", acrescentou o deputado Domingos Dutra (MA), outro que diverge da Executiva.
A resistência ao voto em lista é comandada pelo deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), um dos parlamentares mais próximos ao presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP).
Chinaglia anunciou que iniciará o processo de votação da reforma política assim que a Câmara decidir sobre duas medidas provisórias que têm prioridade na pauta de votações.
Depois de "fatiar" um projeto de reforma aprovado no Senado, a Câmara vai decidir sobre cinco projetos isoladamente, para estabelecer o financiamento público de campanha, o voto nominal ou em lista fechada, o fim das coligações partidárias, a fidelidade partidária e a criação de federações de partidos.
O Palácio do Planalto não deu uma orientação oficial aos partidos da base governista, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem afirmado que o Congresso deveria aprovar rapidamente algum tipo de reforma política, aproveitando o fato de que não há eleições este ano. "Nós entendemos que o momento da reforma política é este. O PT precisa ter uma posição sobre todos esses pontos, porque tergiversar sobre eles seria jogar água no moinho dos que não querem mudar nada", disse o secretário de Movimentos Populares do PT, Renato Simões.
Segundo Simões, na reunião desta segunda foi feita a avaliação de que o apoio em bloco do PT à reforma é necessário para evitar que as mudanças sejam mais uma vez adiadas, por falta de maioria na Câmara.























