Deputados aprovam redução das atribuições do Ibama
Publicado em 27/11/2006 16:53
Em votação apertada, Câmara aprova a criação do Instituto Chico Mendes, que será responsável pela gestão das Unidades de Conservação federais. Oposição tenta evitar votação, mas não impede vitória do governo. A proposta agora segue para o Senado.
Maurício Thuswohl - Carta Maior
RIO
DE JANEIRO – Sob ruidosas vaias de um auditório lotado por servidores
do Ibama em greve, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou na noite
desta terça-feira (12) a Medida Provisória 366/07, que cria o Instituto
Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. A polêmica decisão, que
ainda precisará ser ratificada no Senado antes de seguir para sanção do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, retira do Ibama suas atribuições
relativas à gestão das Unidades de Conservação do Meio Ambiente (UCs)
federais e à realização de pesquisas em biodiversidade, deixando com o
órgão somente as funções de fiscalização e licenciamento ambiental que
já exerce atualmente.
O placar relativamente apertado da votação
(250 votos a favor, 161 contra e sete abstenções) demonstra que essa
discussão ainda pode render bastante no Congresso. Quase nenhuma
bancada votou de forma unificada, apesar das orientações de suas
lideranças. Encaminharam votação contrária à aprovação da MP 366/07, os
líderes de PSDB, DEM, PPS e PSOL. Na base governista, PT, PMDB, PR e PP
deram encaminhamento favorável, enquanto o PV e o bloco PSB-PDT-PCdoB
decidiram liberar suas bancadas.
Após a leitura inicial do
Projeto de Lei de Conversão da MP 366/07, feita pelo relator Ricardo
Barros (PP-PR), os partidos de oposição tentaram, num primeiro esforço,
negar à admissibilidade da votação. Segundo alguns deputados, a criação
do Instituto Chico Mendes deveria ter sido encaminhada pelo governo em
forma de Projeto de Lei, e não de Medida Provisória: “Um assunto dessa
magnitude deveria ter vindo para cá em forma de PL e passar pelas
comissões da casa, onde seriam realizados os debates com a presença dos
servidores do Ibama”, disse Waldir Neves (PSDB-MS).
Ivan Valente
(PSOL-SP) afirmou que, antes de pensar em votar a criação do Instituto
Chico Mendes, o Congresso deveria realizar com o apoio do governo um
amplo balanço sobre o Ibama: “O Ibama sofre historicamente com a falta
de pessoal, de equipamentos e de investimentos”, disse. Raul Jungmann
(PPS-PE), ex-presidente do Ibama, chegou a fazer um apelo “aos
companheiros” do PT: “Vocês votaram contra a divisão do Ibama durante o
governo FHC e agora estão traindo a vocês mesmos. O Ibama é muito amigo
do PT e não merecia isso”, disse, sem grandes resultados.
Apesar
das tentativas da oposição, a admissibilidade da votação foi aceita
pela maioria do plenário, numa primeira vitória do governo. A votação
mais importante, no entanto, se desenhava apertada, fato que provocou
um corre-corre de assessores para chamar deputados ausentes ao
plenário. A base governista chegou a demonstrar insegurança quando, por
intermédio de Décio Lima (PT-SC), pediu o adiamento da votação por uma
sessão, solicitação que foi astutamente ignorada pelo presidente
Arlindo Chinaglia (PT-SP).
PT aponta eficiência na gestão
Durante
a defesa de posições, PSDB e DEM insistiram na tese de que a criação do
novo instituto vai representar “gastos desnecessários para os cofres do
governo” e “aumentar o controle do PT sobre os órgãos ambientais”. A
intervenção mais à direita foi feita por Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP):
“Quem está por trás dessa MP? São as ONGs, que estão dentro do governo
e agora querem terceirizar os parques nacionais, coisa que vai render
dinheiro para muita gente. Chico Mendes deve estar se revirando no
túmulo!”, bradou o deputado, que chegou a chamar membros da cúpula do
Ministério do Meio Ambiente, sem citar nomes específicos, de “fariseus,
hipócritas e falsários”.
A base governista, por sua vez, bateu
na tecla da “eficiência” que, segundo seus representantes, vem sendo
demonstrada pelo governo Lula até aqui na gestão ambiental do país.
Após apresentar dados como a redução de 50% no desmatamento, o aumento
no número de concessões de licenças ambientais e a contratação de dois
mil novos servidores concursados para o Ibama, o deputado Henrique
Fontana (PT-RS) afirmou que “isso indica um governo que é comprometido
com a eficiência da gestão ambiental e que tem o mais absoluto respeito
pelos servidores do Ibama”.
Fontana também rebateu as acusações
de que o PT estaria “acabando com o Ibama” ou renegando posições
assumidas no passado: “A criação do Instituto Chico Mendes é uma
decisão de caráter emergencial e administrativo. Antes do governo Lula,
a realidade do Ibama era seu desmonte, sua terceirização e a adoção de
campanhas para estimular a demissão voluntária de seus servidores”,
disse.
Relator acata emendas
Em reunião com os
líderes das bancadas, antes da abertura da sessão plenária, o relator
Ricardo Barros aceitou a inclusão em seu texto de algumas emendas
sugeridas pelos deputados. Entre as mudanças incorporadas, e aprovadas
em plenário, está a que dá ao Instituto Chico Mendes a responsabilidade
por “organizar programas recreacionais e de turismo ecológico nas áreas
permitidas dentro das UCs”.
Outra emenda acatada pelo relator
transfere a um colegiado a responsabilidade pelo parecer técnico
relativo aos licenciamentos ambientais. Atualmente, essa
responsabilidade é atribuída diretamente a um técnico do Ibama, que
responde individualmente perante o Ministério Público no caso de
irregularidades.
O estabelecimento de um prazo máximo de 90 dias
para que qualquer processo de licenciamento ambiental seja concluído no
Brasil, apresentada pela bancada do PTB, foi recusada por Barros.
Definir o tempo necessário para a conclusão dos estudos, segundo o
relator, é prerrogativa dos órgãos ambientais (federal, estaduais e
municipais) encarregados do processo.























