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Comissão aprova emenda à acordo sobre patentes

Publicado em 27/11/2006 16:53

Agência Câmara

Agência Câmara

A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional aprovou, na última quarta-feira (23), a Mensagem 83/07, do Executivo, que ratifica emenda ao Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio (Trips, na sigla em inglês), da Organização Mundial do Comércio (OMC).

A emenda foi adotada pelo Conselho-Geral da OMC, em dezembro de 2005, e inclui no texto do acordo decisão de 2003 que regulamenta o parágrafo 60 da Declaração Ministerial de Doha sobre Trips e Saúde Pública. Com isso, o acordo internacional receberia um novo artigo e um anexo relativo ao licenciamento compulsório de patentes. O protocolo da emenda ficará aberto à adesão por parte dos estados membros da OMC até 1º de dezembro deste ano e entrará em vigor a partir do momento em que for alcançado o número de ratificações correspondente a 2/3 dos membros da OMC (100 países).

Licenciamento
Na prática, a emenda ao Trips flexibiliza normas sobre direitos de propriedade intelectual quanto à produção e ao comércio de produtos farmacêuticos, eximindo os países da observância, sob certas condições, do licenciamento compulsório. "Trata-se de uma questão de eqüidade e de prevalência do interesse coletivo, de defesa da saúde do povo", argumenta o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), relator do texto na comissão.

Segundo o deputado, os governos e as populações dos países mais pobres enfrentam grandes dificuldades para arcar com os custos de produção e com o pagamento de royalties de determinados medicamentos. "A questão se torna ainda mais dramática quando se trata de epidemias como a da aids, em especial no continente africano, e dos respectivos tratamentos, essencialmente dispendiosos. Nesses países, os elevados custos dos medicamentos tornam o tratamento praticamente inacessível à população, dificultando ainda mais o controle da epidemia, sobretudo no caso da aids", acrescentou.

A mensagem, que tramita em regime de prioridade, será transformada em projeto de decreto legislativo da Comissão de Relações Exteriores. Ele será analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio; e de Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de ser votado pelo Plenário.

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