Chinaglia busca novo acordo sobre reforma política
Publicado em 27/11/2006 16:53
O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, disse nesta quinta-feira que
vai reunir o Colégio de Líderes na próxima terça-feira (19) para
avaliar a possibilidade de um novo acordo para votação, na próxima
semana, do projeto da reforma política (PL 1210/07). Ele não descartou mudanças na proposta ou no encaminhamento, como a inclusão da lista preordenada "flexível" e a mudança na ordem da votação.
Pelo acordo anterior dos líderes, o primeiro ponto a ser analisado em plenário era o voto em lista preordenada, seguido do financiamento público
das campanhas. Chinaglia destacou, no entanto, que a inclusão de pontos
novos pode atrasar a aprovação da reforma. "Sacar a todo momento um
tema novo não é o caminho ideal", disse, ressaltando ainda que houve
muito tempo para que a reforma fosse discutida na Casa. O PL 1210/07 é
baseado em projeto de 2003, que já consolidava propostas anteriores em
tramitação.
Apesar disso, Chinaglia admite que, para a reforma
sair do papel, "nenhum tema é proibido". O líder do PSDB, Antonio
Carlos Pannunzio (SP), por exemplo, defendeu o voto distrital misto
como uma das bandeiras tucanas para a reforma. "O PSDB trabalhará por
uma profunda transformação no sistema eleitoral, com a instituição do
voto distrital misto. A reforma que está em discussão não atende aos
anseios da população", afirmou.
Alternativas
Os
deputados passaram o dia discutindo alternativas ao projeto que
permitissem a votação da matéria na próxima semana. Segundo o
vice-líder do governo Henrique Fontana (PT-RS), o debate se encaminha
para a adoção da lista flexível. Os partidos continuariam definindo uma
lista de candidatos, mas os eleitores poderiam escolher a ordem dos que
seriam eleitos. Ele salientou que foram apresentadas emendas que
instituem essa nova modalidade. "Ontem ficou claro que a maioria da
Câmara não quer a lista fechada 'pura'. E a saída, neste momento, é a
lista flexível, que começa a ganhar espaço", disse Fontana.
Ele
fez questão de ressaltar que a manutenção da lista de votação é
importante porque garante o financiamento público de campanha, ponto
que considera fundamental na reforma política.
Diferentemente de
Fontana, o vice-líder do PP Ricardo Barros (PR) avalia que o debate
político de quarta-feira mostrou que não há proposta de consenso. Ele
defende a votação imediata das emendas e do texto principal, mesmo sem
acordo. "Não adianta ficar procurando consenso. Vai ganhar quem tiver
mais votos", disse.
Barros manifestou preocupação com o prazo de
votação. Para que a reforma seja aplicada nas eleições municipais de
2008, ela precisa ser transformada em lei até 5 de outubro deste ano.
Por isso, segundo ele, é necessário analisar logo a matéria, que ainda
precisa passar pelo Senado.
O líder do governo, deputado José
Múcio Monteiro (PTB-PE), reconheceu a dificuldade de votar a lista
fechada, mas elogiou a capacidade da Câmara de iniciar um debate
complexo, que mexe com a atividade política de todos os deputados. "Há
uma consciência de que o modelo atual não pode continuar. Começar o
debate já é um ganho", afirmou. Ele considera que a próxima semana será
decisiva para a reforma, daí a busca de alternativas, como a lista
flexível.























