Associações de moradores cobram mudanças em políticas públicas
Publicado em 27/11/2006 16:53
A Confederação Nacional das Associações de Moradores apresentou reivindicações a 11 ministérios nesta semana, em Brasília. Apesar de poucas respostas concretas, balanço é positivo.
Jonas Valente - Carta Maior
BRASÍLIA
- Nesta última quarta-feira (13), cerca de 2 mil representantes de
associações de moradores tomaram a Esplanada dos Ministérios na jornada
da Conam (Confederação Nacional das Associações de Moradores). O lema,
Emprego, Desenvolvimento, Reforma Urbana e Direitos Sociais, traduziu a
amplitude da pauta, que não se restringiu apenas às tradicionais
reivindicações relacionadas à moradia popular.
A variedade de
assuntos se traduziu na extensa agenda, que incluiu reuniões e
audiências em 11 ministérios, além de uma “blitz” no Congresso
Nacional. No Ministério do Trabalho e Emprego, os ativistas cobraram
políticas mais efetivas de qualificação profissional e inserção no
mundo do trabalho. No Ministério do Desenvolvimento Social, o foco foi
a ampliação do controle social sobre os programas coordenados pela
pasta, especialmente o Bolsa Família.
Segundo Wander Geraldo,
presidente da Conam, não adianta somente distribuir benefícios sociais,
mas é preciso construir políticas mais integradas, que vinculem a
transferência de renda com outras iniciativas de melhoria da qualidade
de vida, como saneamento básico e projetos de segurança alimentar. “Não
é só matar a fome, mas garantir a qualidade da comida”.
No
Ministério de Minas e Energia, a Conam pediu a revisão dos critérios da
tarifa de baixa renda para uma nova fórmula que combine a renda com o
consumo elétrico e maior investimento no programa Luz para Todos. No
Ministério da Educação, os representantes da entidade defenderam a
realização de uma Conferência Nacional de Educação e solicitaram um
assento no Conselho Nacional de Educação. No Ministério da Saúde, o
pleito apresentado foi a regulamentação da Emenda Constitucional 29,
que garante mais recursos para o Sistema Único de Saúde.
Apesar
da boa recepção, poucas respostas concretas foram apresentadas pelos
diversos órgãos. Uma das exceções foi o Ministério da Cultura, que
prometeu uma linha de financiamento para projetos culturais
comunitários, e o Ministério das Comunicações, que se comprometeu a
agilizar a tramitação de rádios comunitárias indicadas pela Conam.
Moradia
Apesar
de ter ampliado sua pauta nesta marcha, a Conam não deixou de ter como
foco principal a luta pela moradia, especialmente aquela de caráter
popular. Mais de 200 lideranças se reuniram com o Ministro das Cidades,
Márcio Fortes, e reivindicaram mais recursos para o Fundo Nacional de
Habitação de Interesse Social. A Conam reforçou o coro já lançado por
outras entidades de moradia para que os recursos previstos no Programa
de Aceleração do Crescimento para moradia popular, saneamento e
transporte público fossem alocados no FNHIS.
Com isso, as
entidades defenderam que o governo dobrasse os recursos do fundo dos
atuais R$ 1 bilhão para R$ 2 bilhões. Para Wander Geraldo, a ampliação
de volume do fundo é fundamental, pois ele é o principal instrumento de
atendimento às famílias com renda entre 0 e 3 salários mínimos. Esta
faixa representa 82% do déficit habitacional brasileiro, que atinge
hoje cerca de 8 milhões de pessoas.
A entidade cobrou também a
sanção presidencial da Medida Provisória 335/06, que permite a cessão
de prédios públicos para fins de moradia popular. Até a edição da MP,
no caso das empresas públicas, isso era vetado pois o repasse de
qualquer imóvel só pode se dar por leilão. A medida retira estes
empecilhos, mas até agora o governo não conseguiu fazer nenhum repasse
de imóveis. Além disso, como a matéria espera sanção presidencial,
ainda há o risco do presidente Lula vetar algum artigo. “Defendemos que
ela seja aprovada logo”, diz o presidente da Conam.
O ministro
das Cidades recebeu a extensa pauta, de quase duas páginas, e se
comprometeu a dar resposta à Conam. Márcio Fortes destacou que boa
parte dos itens constantes na agenda da entidade será debatida na
Conferência Nacional das Cidades, que será realizada ainda este ano.
Segundo Márcio Fortes, a idéia é discutir a integração das políticas
urbanas para potencializar sua execução e o atendimento da população.























