Ir para o conteúdo. | Ir para a navegação

Ferramentas Pessoais
Seções
Você está aqui: Página Inicial Notícias Notícias Gerais 2007 Junho Ação contra BrT leva Mangabeira a perder indicação ao ministério
Você está aqui: Página Inicial Notícias Notícias Gerais 2007 Junho Ação contra BrT leva Mangabeira a perder indicação ao ministério

Ação contra BrT leva Mangabeira a perder indicação ao ministério

Publicado em 27/11/2006 16:53

IG

IG/Último Segundo

Cristiano Romero - Demitido antes de tomar posse. É esta a situação do professor Roberto Mangabeira Unger, convidado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir, com status de ministro, o comando da Secretaria de Ações de Longo Prazo. Indicado para o cargo pelo vice-presidente José Alencar, Mangabeira caiu em desgraça depois de ter decidido acionar judicialmente, nos Estados Unidos, a operadora de telefonia fixa Brasil Telecom (BrT).

Ontem, o ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, praticamente selou o destino de Mangabeira, que é filiado ao mesmo partido - o PRB - de José Alencar. "Se isso for um empecilho legal, das duas uma: ou ele retira a ação ou desiste do cargo", disse ele. O caso BrT foi, na verdade, a gota d'água. O presidente já vinha demonstrando arrependimento com a nomeação, dada a forte reação de intelectuais e pesquisadores do Ipea, órgão que ficaria subordinado ao novo ministro.

A BrT tem, entre seus principais sócios, três fundos de pensão ligados a empresas estatais - Previ, Petros e Funcef. Na avaliação de assessores de Lula, somente esse fato já caracterizaria, para o futuro ministro, um conflito de interesse. O caso, no entanto, é ainda mais complicado.

Professor da prestigiosa Harvard University, Mangabeira foi contratado, em 2005, para ser o "trustee" (representante legal) da BrT em Nova York, onde corria uma disputa judicial entre a operadora e a Telecom Italia. O responsável por sua contratação foi o banqueiro Daniel Dantas, do Grupo Opportunity, um dos sócios da BrT.

Em outubro de 2005, depois de cinco anos de litígio, os fundos de pensão, em associação com o Citibank, o outro sócio da BrT, afastaram Dantas da gestão da companhia. A nova diretoria realizou auditoria nas contas da empresa e constatou, entre outras coisas, que Mangabeira teria recebido US$ 2 milhões em honorários e se beneficiado de mordomias como viagens de avião em primeira classe e aluguel de apartamento na Avenida Vieira Souto, um dos endereços mais caros do Rio de Janeiro.

Na ocasião, a BrT cogitou acionar Mangabeira judicialmente, alegando que, em vez de cumprir a função de "trustee", o professor de Harvard atuou em defesa de um dos sócios da empresa - Daniel Dantas. Uma das evidências disso teria sido a participação dele numa reunião da Kroll, o escritório americano de investigação contratado por Dantas para supostamente espionar integrantes do governo Lula e sócios da BrT. A operadora desistiu da ação depois que Mangabeira teria renunciado ao direito de permanecer como seu "trustee" nos Estados Unidos.

No dia 20 de abril, o Palácio do Planalto confirmou que Mangabeira seria ministro. Dez dias depois, portanto, após a confirmação da nomeação, o professor decidiu acionar judicialmente a BrT, cobrando honorários aos quais julgava ter direito. Surpreendida pela ação, a BrT decidiu, no dia 22 de maio, também acionar Mangabeira em Massachusetts, exigindo prestação de contas de todo o período em que atuou como seu representante legal.

Segundo um assessor direto do presidente, Mangabeira fez chegar ao governo a informação de que teria feito um acordo com a BrT e retirado o processo. A informação, segundo apurou o Valor, não procede. "Ele se meteu numa confusão. A nomeação virou uma novela desgastante", comentou um ministro. "Ele reacendeu, com essa história, a ligação dele com o Daniel Dantas, um desafeto do governo", observou outro assessor.

Por consideração a José Alencar, Lula decidiu não revogar o convite feito a Mangabeira, mas, para deixar claro que não o quer mais no governo, resolveu tirá-lo da agenda. Isto significa que a posse, marcada para o dia 13, foi suspensa e que não será agendada uma nova data. A expectativa do presidente é que o professor de Harvard, que já foi guru de Leonel Brizola e Ciro Gomes, desista do cargo.

Procurado ontem pelo Valor em seu escritório em Harvard, Mangabeira não retornou as ligações. Ele também não respondeu às mensagens eletrônicas.

Ações do documento

Comentários (0)

Apoio Institucional
  • apoio20.png
  • apoio19.png
  • apoio18.png
  • apoio17.png
  • apoio15.png
  • apoio14.png
  • apoio13.png
  • apoio12.png
  • apoio11.png
  • apoio10.png
  • apoio9.png
  • apoio8.png
  • apoio7.png
  • apoio6.png
  • apoio5.png
  • apoio4.png
  • apoio3.png
  • apoio2.png
  • apoio1.png