Sétima edição do Fórum Social Mundial começa hoje em Nairóbi
Publicado em 20/01/2007 21:34
Nairóbi, 20 jan (EFE) - A sétima edição do Fórum Social Mundial
(FSM), encontro no qual os movimentos de sociedade civil africana
serão os grandes protagonistas, começa hoje na capital do Quênia,
onde são esperadas mais de 100 mil pessoas.
Os "cinco dias de resistência cultural e celebração", como o
evento foi definido pelos organizadores, terão início com uma
manifestação popular que sairá do bairro de favelas de Kibera, um
dos maiores da África, e terminará no Parque Uhuru, na capital.
Começando na África do Sul, passando por Malaui e, após
atravessar a Tanzânia, uma caravana de mais de 20 ônibus - à qual se
unirão as comunidades de pastores masai do sul do Quênia - terá como
destino final o parque, onde ocorrerá a cerimônia de abertura.
A intenção é transformar o parque, que fica no coração de
Nairóbi, em uma grande festa. No final da década de 80, o sítio
natural foi palco da luta por sua preservação liderada pela queniana
Wangari Maathai, Prêmio Nobel da Paz de 2004, que também participará
do evento.
No local, serão realizados shows da sul-africana Chaka Chaka, dos
quenianos Eric Wainaina e Suzanna Owiyo, e do músico do Zimbábue
Oliver Mtukudzi.
Após as apresentações musicais, o comitê organizador lerá uma
mensagem de boas-vindas, e grupos de diferentes regiões do mundo
também lançarão mensagens de solidariedade.
No segundo dia, as atividades passarão ao complexo esportivo de
Kasarani, que fica a aproximadamente 20 quilômetros do centro da
cidade, onde serão realizados os atos e exposições.
"Isto não é uma conferência, mas sim um espaço aberto no qual
ocorrerão atividades de forma descentralizada", explicou Oduor
Ongweng, do comitê organizador queniano.
Segundo Ongweng, serão realizadas mais de 600 atividades diárias
organizadas pelos movimentos participantes durante os três dias de
debates. Por isso, a qualquer hora do dia, o visitante poderá
escolher entre 200 atos que estarão ocorrendo simultaneamente.
O quarto dia de debates será dedicado à exposição das propostas
de ação e de campanhas por parte de diferentes grupos. À tarde,
Wangari Maathai liderará uma manifestação com os participantes, que
plantarão milhares de árvores.
Quinta-feira será o último dia do fórum. A cerimônia de
encerramento será novamente realizada no Parque Uhuru. Os
participantes chegarão ao local vindos de uma maratona que sairá do
bairro de favelas de Korogocho. Os que optarem por andar, em vez de
correr, terão como ponto de partida o bairro de Kariobangi.
Com o lema "Um outro mundo é possível", o FSM é realizado desde
2001, e as datas em que o encontro é realizado são escolhidas para
coincidir com o Fórum Econômico Mundial, que ocorre na cidade suíça
de Davos.
O objetivo do evento é criar "um espaço de encontro que favoreça
a construção internacional de alternativas ao pensamento único
neoliberal".
Os debates, mesas-redondas e exposições da sétima edição do FSM
girarão em torno de 12 tópicos, incluindo aids, paz e conflito,
juventude, situação das mulheres, migrações e perseguições, dívida
externa, os sem-terras e a privatização de bens comuns.
São aguardados o arcebispo anglicano sul-africano e Prêmio Nobel
da Paz Desmond Tutu, o ex-presidente da Zâmbia Kenneth Kaunda, e a
ex-mulher de Nelson Mandela, Winnie Mandela.
Também devem participar a escritora e política de Mali Aminata
Traoré e a ex-alta comissária da ONU para os Direitos Humanos e
ex-presidente irlandesa Mary Robinson.























