O PAC e o Plano de Metas
Publicado em 18/01/2007 09:53
Em entrevistas ontem Lula disse que quer garantia de que as medidas a
serem anunciadas dentro do PAC (Programa de Aceleração de Crescimento)
serão cumpridas. Dificilmente o PAC estará a altura do Plano de Metas
de Juscelino Kubistcheck, o mais importante plano de desenvolvimento do
país, mas não custa entender a lógica.
Durante os anos 40, o Brasil avançou em um conjunto de diagnósticos
sobre as vulnerabilidades da economia. Não era um mero check-in list,
mas a identificação qualitativa dos gargalos efetivos, que precisariam
ser destravados. Junto com esse diagnóstico, o país criou uma rica
tradição de preparação de projetos, um trabalho de engenheiros que
atingiu o seu auge dos anos 70 e, depois, praticamente desapareceu da
área pública.
Os dois principais autores do Plano de Metas foram Lucas Lopes, que
trouxe a tradição de planejamento da Cemig, e Roberto Campos, que
ajudou Lopes a montar o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social). O ponto de partida foi o trabalho “Diretrizes
Básicas do Desenvolvimento Econômico”, documento genérico que serviu de
base para os passos iniciais do presidente JK.
Esse documento foi montada com textos extraídos do ISEB (Instituto
Superior de Estudos Brasileiros), um grupo
desenvolvimentista-nacionalista, liderado por Hélio Jaguaribe; com
alguns condimentos liberais introduzidos por Lucas Lopes.
Logo que JK assumiu, aliás, Lucas Lopes foi para o BNDES, como
secretário executivo, e Campos como diretor. Lá, Lopes criou o Conselho
de Desenvolvimento, maneira encontrada por JK para montar o programa
sem atropelar os ministros, muitos deles frutos de indicação política.
O documento tinha quatro partes. Primeiro, o Programa de Metas,
desenvolvimentista, definindo obras, cronogramas e fontes de
financiamento. Depois, um plano de estabilização, dando atenção a parte
fiscal e monetária. O terceiro documento era uma proposta de reforma
cambial. Havia a convicção profunda de que o salto do desenvolvimento
só seria obtido com uma desvalorização cambial, para tirar o país da
armadilha da apreciação cambial em que ele se meteu, depois do acordo
de Breton Woods (que reorganizou o sistema cambial mundial). O quarto,
um projeto de reforma fiscal que previa, inclusive, a autonomia
financeira do BNDES.
Propunha-se também criação de um Fundo de Desenvolvimento Industrial,
financiado por Obrigações do Tesouro, que remunerava de acordo com
taxas do Tesouro mais uma parcela variável, equivalente à rentabilidade
média de ações e títulos mantidos em carteira pelo BNDES.
Depois, surgiu a lista de objetivos, e a aglutinação de cabeças
para trabalhar capítulos específicos, tomando por base os estudos da
Comissão Mista Brasil-Estados Unidos, que tinha se encerrado alguns
anos antes.
No planejamento inicial havia a previsão de ocupar-se o primeiro
ano apenas com negociações políticas. Depois, mais dois anos para
detalhamento do projeto.
Apenas um ponto não foi previsto. Na reunião em que se discutiram
as metas do Plano, JK incluiu uma que não havia sido pensada: a
construção de Brasília. Foi o que levou ao descontrole monetário que
acabou comprometendo a eficiência da gestão JK.
























PORQUE O ATUAL PRESIDENTE NÃO DEU CONTINUIDADE POR ACHAR QUE SEU PROGRAMA DE ACELERAÇÃO DO CRESCIMENTO NÃO CHEGARÁ NEM AOS PÉS DO PLANO DE METAS DO JUSCELINO KUBISTCHEK?
O FILANTROPISMO POLÍTICO NÃO EXISTE!
JOSEPH SILVA