O banco da América do Sul
Publicado em 19/01/2007 15:09
A idéia da criação de um banco de desenvolvimento da América do Sul não
é má. E também não é recente, nem foi criação de Hugo Chaves, embora
tenha sido reapresentada na reunião da Cúpula do Mercosul no Rio de
Janeiro.
Tempos atrás se chegou a ventilar a possibilidade da criação de um
banco que juntasse o nosso BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento
Econômico e Social) e a CAF (Cooperação Andina de Fomento), um banco de
desenvolvimento integrado pelos países andinos, que conseguia captar
recursos no exterior a um custo mais barato que o do BNDES.
Desde os anos 70 existe o Bladex, um banco com sede no Panamá,
constituído pelo capital de diversos países da América Latina. Sua
missão é financiar o comércio exterior. Em 2002 foi fundamental para
ajudar o Brasil a escapar da crise externa, quando praticamente todos
os bancos estrangeiros cortaram ao mesmo tempo suas linhas de
financiamento. Na crise da Argentina, foi o último a abandonar a
Argentina e o primeiro a voltar. E se saiu bem, porque suas ações
experimentaram valorização expressiva quando a Argentina se recuperou.
A primeira vantagem do banco latino-americano seria financiar as
obras de infra-estrutura do continente –cruciais para garantir a
formação de um bloco econômico para valer, não meramente um bloco
comercial, como é o Mercosul. Desde os anos 90, há estudos
identificando sete áreas de desenvolvimento no continente, dependendo
apenas de obras de infra-estrutura para deslancharem. Se a missão do
novo banco fosse especificamente garantir o financiamento dessas obras,
aceleraria enormemente seu deslanche.
A segunda vantagem seria garantir recursos mais baratos, dependendo
da maneira como o banco fosse constituído. Nessa hora, os petrodólares
da Venezuela seriam bem vindos, dentro de uma estrutura que impedisse
manobras personalistas. As modernas ferramentas financeiras permitem
alavancar expressivamente em cima do capital próprio do banco.
A terceira vantagem seria a montagem de um órgão que, sendo com
controle colegiado e com um bom desenho institucional, funcionasse como
uma âncora acima da instabilidade política do continente.
A quarta vantagem seria a possibilidade da montagem de consórcios
de empresas, entre os diversos países, fortalecendo as relações
econômicas e de solidariedade do continente.
A quinta vantagem seria permitir o exercício das negociações em cima de
resultados, ampliando a solidariedade entre os países, e permitindo ao
banco se transformar em uma âncora a mais contra a instabilidade
política e econômica do continente.
Se desse encontro nascesse o tal banco latino-americano, a reunião
já estaria plenamente justificada. Em vários momentos da história,
vizinhos mais pobres foram utilizados pelo Brasil exclusivamente como
fornecedores de matéria prima. Foi assi nas tentativas do acordo de
petróleo e gás com a Bolívia nos anos 50 e mais recentemente.
Essa política impediu o desenvolvimento dos vizinhos e,
consequentemente, atrasou a criação de um mercado de consumo
latino-americano que será fundamental para pavimentar o futuro
crescimento do Brasil. Uma potência começa a se fazer em casa.























