Movimentos sociais da África e América buscam plano comum de ações
Publicado em 20/01/2007 21:16
Daniel Merli
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Um processo de diálogo entre movimentos sociais da África
e América Latina, iniciado há dois anos, deve oferecer seu primeiro
resultado neste final de semana. Após três reuniões nos dois
continentes, as organizações devem chegar a uma agenda comum de lutas
nesta próxima edição do Fórum Social Mundial, que começa sábado (20),
em Nairóbi, no Quênia.
O projeto batizado de People's Dialogue
(Diálogo dos Povos) demorou a tomar corpo pela falta de tradição de
laços Sul-Sul, segundo Moema Miranda, do Instituto Brasileiro de
Análises Sociais e Econômicas (Ibase). “Pelo peso de nossas formações
coloniais, ainda pensamos muito o mundo na relação Norte-Sul. Sabemos
mais a história da Europa do que da África”, afirma.
No encontro
que vão fazer domingo (21) as organizações participantes do Diálogo dos
Povos querem chegar a um plano mínimo de ações. “Essas organizações
vivem situações muito semelhantes, tanto na África quanto na América
Latina”, destaca Moema. “Queremos fechar alguns assuntos principais que
possam ser uma ação comum nos dois continentes”.
Nas reuniões
preliminares, realizadas no Brasil e África do Sul, alguns assuntos em
comum se destacaram, segundo a diretora do Ibase. “A ação das
multinacionais, a privatização, o desrespeito às comunidades de
pescadores, a concentração fundiária, os transgênicos são problemas em
todos os países desses continentes”, lista Moema.
Entre tantas
realidades semelhantes, a luta contra as transnacionais deve ser o tema
principal escolhido no encontro do Diálogo dos Povos em Nairóbi,
acredita a diretora do Ibase. “Esse tema agrega uma série de outros. As
transnacionais vêm explorando reservas naturais de água nesses países,
levando transgênicos e, geralmente, ainda recebem apoio dos governos
locais”.























