Lula quer crescimento e reformas política e tributária
Publicado em 02/01/2007 10:37
Em seu discurso de posse no Congresso Nacional, o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva ressaltou a necessidade de fazer o País crescer
mais rapidamente e com responsabilidade fiscal. Ele anunciou que ainda
neste mês apresentará um conjunto de medidas englobadas no Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC).
Lula também enfatizou a reforma política
e convidou todos os partidos a dar "urgente encaminhamento" a essa
matéria, ao lado de outras reformas que considerou importantes, como a
tributária. O presidente disse que pretende consolidar a legislação
unificada do ICMS,
simplificando as normas e reduzindo alíquotas. "A previsão é implantar
um único imposto de valor agregado a ser distribuído automaticamente
para União, estados e municípios".
Em relação à segurança
pública, que classificou como "verdadeiro flagelo nacional", Lula disse
que crescem as condições para uma efetiva cooperação entre a União e os
estados nesse setor, "sem a qual será muito difícil resolver este
crucial problema".
Educação
Lula destacou que, em seu
segundo mandato, pretende ampliar a renovação tecnológica do ensino com
a informatização de todas as escolas públicas. "Quero reafirmar, neste
dia tão importante, que o meu sonho é ajudar a transformar o Brasil no
país mais democrático do mundo no acesso à universidade", disse.
Como
instrumentos para essa realização, ele citou as novas universidades e
escolas técnicas e a expansão das bolsas do ProUni (programa de bolsas
universitárias). Para o presidente, o Brasil assistirá, dentro de dez
ou 15 anos, ao surgimento de "uma nova geração de intelectuais,
cientistas, técnicos e artistas originários das camadas pobres da
população".
O presidente lembrou que, com a aprovação do Fundeb
(fundo para financiar a educação básica) pelo Congresso Nacional, o
Brasil poderá aumentar dez vezes o investimento nas áreas mais carentes
do ensino, sendo que 60% desses recursos serão aplicados na melhoria de
salários e na formação do professor.
"Para que o Brasil tenha
uma educação verdadeiramente de qualidade, serão necessários
professores bem remunerados, com sólida formação profissional,
condições adequadas de trabalho e permanente atualização", afirmou.
Política social
Segundo
o presidente, a política social será uma peça-chave do desenvolvimento
e será cada vez mais estrutural. Ele chamou atenção para o papel do
Bolsa Família na retirada de várias famílias brasileiras da miséria,
contribuindo para dinamizar a economia. Mas negou que seu governo tenha
sido populista. "Este governo foi, é e será popular", afirmou. Ele
criticou aqueles que tentaram desqualificar essa opção. "O que
distribuímos e socializamos foi cidadania. A vontade de mudança - que
esteve reprimida por décadas, séculos - expressou-se pacificamente e
esta manifestação contribuiu para o fortalecimento das instituições",
afirmou.
Lula defendeu ainda a criação de alternativas de
trabalho e produção para os beneficiários dos programas de
transferência de renda. Para isso, ele disse que serão prioridades: a
educação, a formação de mão-de-obra, a expansão do microcrédito e do
crédito consignado, o fortalecimento da agricultura familiar, o avanço
da reforma agrária pacífica e produtiva, a economia solidária, o
cooperativismo, o desenvolvimento de tecnologias simples e a expansão
da arte e da cultura popular.
Economia
No setor
econômico, Lula anunciou, com o objetivo de aumentar a produtividade
das empresas, um amplo programa de incentivo à importação de
equipamentos, com melhoria na qualidade dos tributos e no acesso à
tecnologia da informação.
O programa será feito por meio do BNDES,
da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, da Embrapa, do
Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio e do Ministério da
Ciência e Tecnologia.
O presidente reeleito disse que a meta
de seu governo é criar condições para que a expansão do crédito chegue
a 50% do PIB em 2010. Outra meta apontada por ele é a desburocratização
de processos que facilitem o comércio exterior, a abertura e fechamento
de empresas e o aperfeiçoamento das legislações sanitária e ambiental.
Em
relação ao setor energético, o presidente garantiu o fornecimento de
energia nos próximos dez anos por meio dos projetos em andamento e de
novos projetos que serão licitados em 2007. "Continuaremos dando
prioridade ao setor de bioenergia, no qual o Brasil ocupa a vanguarda
mundial, como decorrência dos esforços de meu governo", garantiu.
Leia a íntegra do discurso no Congresso
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Reportagem - Eduardo Piovesan
Edição - Patricia Roedel























