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FSM - Martinho da Vila abre o Fórum Social Mundial em Nairóbi

Publicado em 20/01/2007 14:01

BBC Brasil

BBC Brasil

Luciano Máximo
De Nairóbi
Participantes chegam ao 7º Fórum Social Mundial, em Nairóbi
O 7º Fórum Social Mundial ocorre em Nairóbi, no Quênia, até o dia 25














Com um repertório engajado, formado por composições em que critica injustiças sociais e a desigualdade racial, o sambista Martinho da Vila será um dos destaques da abertura do 7º Fórum Social Mundial, neste sábado, em Nairóbi, no Quênia.

Neste ano, o encontro mundial de militantes e intelectuais que buscam alternativas ao atual modelo socioeconômico vigente no mundo será realizado na capital queniana, até 25 de janeiro, e terá como caráter prioritário reforçar a presença da África na agenda mundial.

O cantor e compositor brasileiro, de 68 anos, vai se apresentar para mais de 80 mil ativistas do mundo inteiro e garante que seu show estará em harmonia com o lema do Fórum de Nairóbi: "Lutas do povo, alternativas do povo".

"Quero mostrar nossas origens africanas através do samba e chamar atenção sobre o valor da confraternização dos povos. Vai ser um show divertido, mas para fazer pensar, com uma mensagem", afirma Martinho.

O filho nobre da escola de samba Unidos de Vila Isabel quer conquistar o público do Fórum com canções politizadas, como "Sonho de um sonho", baseado num poema de Carlos Drummond de Andrade, "Brasil Mulato" e "Kizomba, a Festa da Raça", enredo campeão do carnaval carioca de 1988.

Com passagens por palcos da América Latina, Europa, Estados Unidos e outros países da África, é a primeira vez que Martinho da Vila canta no Quênia. Seu show foi batizado de Conexão Brasil-África.

Vários artistas locais também se apresentam na cerimônia de abertura do 7º Fórum Social Mundial.

África

Os shows serão precedidos por uma passeata pelas ruas de Nairóbi. Kibera, a maior favela africana, com quase 800 mil habitantes, será o local de largada da marcha de abertura do 7º Fórum Social Mundial.

Original de um dialeto do nordeste da África, a palavra kibera quer dizer selva. A favela abriga um terço da população de Nairóbi. O local será o ponto de encontro para a caminhada até o Parque Uhuru, no centro da capital queniana.

Após a marcha, representantes do Comitê Organizador do Fórum Social Mundial e de movimentos populares africanos vão fazer discursos.

Em sua sétima edição, o encontro terá como foco reforçar a presença da África na agenda mundial e agregar os países africanos em torno de discussões de interesse comum, como guerras regionais, migrações, controle de recursos naturais e o combate à fome, à aids e à pobreza.

Para o queniano Onyango Oloo, um dos organizadores do Fórum, o evento servirá como aglutinador de forças antiglobalização.

"Quero que o encontro se transforme num espaço de organização e mobilização contra o neoliberalismo e o sistema financeiro internacional e suas ações neocoloniais na África."

Visibilidade

Francisco Whitaker, integrante do Comitê Organizador Internacional do Fórum e da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, espera que o evento traga mais visibilidade ao continente africano. "Esperamos que a África ganhe um espaço mais central nas preocupações do mundo", afirmou.

A cerimônia de abertura segue com a apresentação de Martinho da Vila e vários shows de grupos africanos de música e dança.

Os mais de mil seminários, workshops, testemunhos e discussões programados para o 7º Fórum Social Mundial começarão a partir de domingo. As atividades serão concentradas no Moi International Sports Centre, a duas horas do centro de Nairóbi.

De acordo com a organização do evento, estão credenciados 3 mil participantes não-africanos e 7 mil africanos, dos quais 60% são do Quênia.
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