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Estudo vê em MST 'pilar' da reforma agrária

Publicado em 09/01/2007 16:21

Site do Fórum de Entidades Nacionais de Direitos Humanos

Relatório do Centro de Pobreza afirma que movimentos sociais são importantes para estimular políticas de redistribuição de terras. Em estudo que analisa a experiência de 20 países no setor, o órgão avalia que a “intensa pressão” exercida pela mobilização de camponeses e trabalhadores rurais contribuiu com parte significativas das políticas bem-sucedidas de redistribuição de terra.


A atuação de organizações sociais como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) é um dos quatro pilares que sustentam um modelo alternativo de reforma agrária proposto pelo Centro Internacional de Pobreza — um braço do PNUD com sede em Brasília. Em estudo que analisa a experiência de 20 países no setor, o órgão avalia que a “intensa pressão” exercida pela mobilização de camponeses e trabalhadores rurais contribuiu com parte significativas das políticas bem-sucedidas de redistribuição de terra.

Entre os países que tiveram o processo de reforma agrária desencadeado pela mobilização de organizações formadas por camponeses e trabalhadores rurais, o estudo cita o México (nos anos 30), a Índia (nos anos 60 e 70) e o Chile (no inicio da década de 1970). “Mais recentemente, organizações influenciadas pela pobreza rural têm emergido nas Filipinas e no Brasil com campanhas agressivas pela reforma agrária”, afirma o texto, intitulado O Debate Inconcluso sobre Reforma Agrária: Além do Modelo Estatal e do Modelo de Mercado. Nenhum movimento (nem o MST) é nominalmente citado no artigo.

O estudo apresenta uma alternativa aos modelos clássicos de reforma agrária. Os autores do trabalho — o diretor do Centro Internacional de Pobreza, Terry McKinley, e o pesquisador canadense Saturnino Borras, da Universidade de Mary — partem do princípio de que tanto a intervenção Estatal como as regras de mercado não asseguram o sucesso das políticas de redistribuição de terras. O modelo estatal (que costuma envolver confisco de latifúndios, taxação progressiva da terra ou pagamento de subsídios a agricultores que fizerem transferência de terra) interfere nas relações de mercado, segundo os dois estudiosos. O modelo de mercado (em que assentados compram propriedades de grandes fazendeiros pelo valor de mercado) “subestima” o poder político e econômico dos grandes agricultores e “superestima” o poder dos sem-terra.

O estudo propõe então um modelo de “redistribuição alternativa” calcado em quatro pilares. Além dos movimentos campesinos, o processo de reforma agrária deve contar com uma ampla coalizão política pró-reforma, que defenda os interesses dos sem-terra no parlamento; com um investimento público substancial, que permita que os assentados iniciem a produção; e com uma estratégia de desenvolvimento que integre as ações e promova o crescimento pró-pobre para assegurar a sustentabilidade da nova estrutura agrária.

O trabalho ressalva que, embora devam ser autônomos e politicamente independentes, esses movimentos dificilmente atingirão seus objetivos sem fazer alianças políticas. “As forças anti-reforma freqüentemente comandam os fortes e consolidados grupos políticos, tanto em nível local como nacional”, aponta. Nesse contexto, o documento destaca a importância do estabelecimento de uma coalizão política favorável à reforma agrária — o segundo pilar da proposta de redistribuição alternativa.

Apesar de apresentar uma terceira via aos modelos clássicos de reforma agrária, o estudo reconhece a existência de experiências bem-sucedidas no caso de intervenções do Estado na estrutura de distribuição. “O modelo estatal de reforma agrária — embora tenha sido muito criticado nos anos recentes — registrou alguns sucessos notáveis”, aponta. “Os casos de sucesso — Japão, Coréia do Sul e Taiwan — são bem conhecidos. Os esforços de larga escala de outros países, como Bolívia, Chile, Cuba e México, são amplamente reconhecidos”, completa.

 

fonte: Pnud Brasil
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