Esterilização em massa de mulheres é criticada no Fórum Social Mundial
Publicado em 21/01/2007 14:11
Agência Brasil
Daniel Merli
Enviado especial
Nairóbi (Quênia) - O padre Leo Marga Ashram se levanta para pregar. Não fala de
religião, mas sobre a importância do uso de pílulas anticoncepcionais e
preservativos. Conta que em seu país, o Sri Lanka, os médicos do sistema
público de saúde incentivam a esterilização das mulheres. Ashram defende, em
vez da ligação de trompas, o incentivo ao uso de métodos contraceptivos.
Sentada
na arquibancada do Moi International Sport Center,
complexo esportivo onde se realiza o 7º Fórum Social Mundial, a platéia
acompanha atenta o difícil inglês com sotaque do Sri Lanka gritado por
Ashram. Uma das
presentes é a freira Yohana Temba, da Tanzânia. Integrante da entidade
católica
Instituto da Vocação Juvenil, a irmã Yohana veio ao país vizinho para
“apreender o espírito do Fórum Social e abrir nossas cabeças”.
A
freira africana fica impressionada com o relato de seu
companheiro de fé sobre a esterilização em massa na Ásia. Mas não
concorda com a proposta de incentivo aos anticoncepcionais: “Tudo isso
acontece porque não
fazemos como nossos ancestrais, que aplicavam a disciplina e o
auto-controle”.
Diferente na devoção espiritual, o muçulmano Mohammed
Mahuruf concorda com o padre Ashram, seu conterrâneo do Sri Lanka. “Em vez da
esterilização, os médicos devem incentivar o planejamento familiar, mostrando
as opções como pílula e camisinha”, afirma Mahuruf, da Cordaid, organização não-governamental ligada à Caritas International.
“O problema da religião é que as pessoas não praticam o que
lêem na Bíblia”, reclama a ginecologista católica Catherine Lalobo Lore, que
fechou sua clínica após 20 anos de trabalho, para se dedicar à educação sexual
de mulheres. “Temos uma cultura, na África, em que a mulher é monogâmica e o
homem, poligâmico. As mulheres não usam preservativos e acabam infectadas
em sua própria cama”, afirma Lore.
Longe da cultura africana, a argentina Lourdes Bagur
vive a mesma situação em Córdoba, onde trabalha como assistente social no
governo da província. “O mais interessante desses encontros é a troca de
experiência para saber o que, apesar de tantas diferenças culturais, temos de
comum em nosso dia-a-dia”.























