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Brasil mapeará ações anti-racismo na AL

Publicado em 10/01/2007 11:11

PNUD

Programa de Combate ao Racismo Institucional quer identificar políticas de países da América Latina na área para trocar experiências


TALITA BEDINELLI
da PrimaPagina

Um programa de combate ao racismo presente nas instituições públicas do Brasil vai, a partir deste ano, voltar-se também para a América Latina. Desenvolvimento desde março de 2005 pelo PNUD e parceiros, o projeto estimulou a criação de políticas de promoção da igualdade racial em municípios como Recife, Salvador, Olinda e Araraquara (SP), e agora pretende identificar as ações desenvolvidas em outros países da região e divulgar as atividades brasileiras que foram bem-sucedidas.

“É importante conhecermos a realidade da população negra de outros países. Alguns desafios para a promoção da igualdade racial são comuns”, afirma Fernanda Lopes, coordenadora do PCRI (Programa de Combate ao Racismo Institucional). “Esse intercâmbio é pouco explorado. Queremos estabelecer esse contato, ter um vínculo maior e identificar potenciais obstáculos e desafios. Com isso, vamos nos fortalecer na construção de uma igualdade racial”, diz. De acordo com ela, alguns projetos na área já foram identificados em países como Uruguai, Venezuela, Peru e Paraguai.

O contato com os países será feito por intermédio das agências da ONU — em especial pelo PNUD e pela OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde), também parceira do programa — e pela assessoria internacional da Secretaria Especial de Políticas para Promoção da Igualdade Racial, outra apoiadora. O programa conta ainda com a parceria do Ministério da Saúde, do Ministério Público Federal e do Departamento do Governo Britânico para o Desenvolvimento Internacional.

Após mapear as atividades desenvolvidas na América Latina, o programa planeja disseminar as lições aprendidas nesses quase dois anos de implementação, que incluem capacitações de médicos sobre a saúde da população negra; oficinas de radiofusão comunitária (para mostrar aos radialistas a importância de abordar temas relacionados ao racismo institucional na programação de rádios comunitárias); a identificação da cor de usuários de serviços públicos para a realização de políticas mais adequadas; o fortalecimento do diálogo entre governos e religiões de matrizes africanas; e planos de ação no Ministério Público para garantir o acesso à Justiça para a população negra, em especial para os quilombolas.

A ligação com a América Latina faz parte da segunda etapa do projeto, que visa aumentar a divulgação dos trabalhos desenvolvidos, para que eles possam servir como exemplo para outros interessados da sociedade civil e dos governos. Além de identificar outros países latino-americanos que trabalham em áreas correlatas, o programa quer ainda nesta fase — que começou em outubro de 2006 e deve terminar em abril de 2007 —, aumentar a relação com os veículos de comunicação, produzir material audiovisual que mostre o que é o racismo institucional e fazer materiais mais direcionados aos gestores com informações sobre desigualdade racial.

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