Rio São Francisco - Procurador-geral entra com recurso no STF contra transposição
Publicado em 16/02/2007 10:57
Procurador-geral da República defende suspensão da licença ambiental para a obra e requer a cassação da licença prévia, além de solicitar que o Congresso Nacional e as populações indígenas sejam consultados quanto ao projeto.
Antonio Biondi - Carta Maior
SÃO
PAULO – O procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza,
apresentou recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a
suspensão da licença ambiental para a obra de transposição das águas do
rio São Francisco. Na ação, o procurador-geral também pede a cassação
da licença prévia concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente
e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O recurso foi apresentado
na última segunda-feira (12/02). A informação foi divulgada nesta
quinta-feira pela Folha Online e pela Agência Brasil.
Na
quarta-feira, o ministro da Integração Nacional, Pedro Brito, havia
afirmado que o governo se preparava para lançar os editais para as
obras de transposição pouco depois do Carnaval.
Segundo a Agência Brasil,
o procurador-geral faz ainda outros pedidos no recurso. Um deles é de
que as populações indígenas atingidas pelo projeto e o Congresso
Nacional sejam consultados. Além disso, a agência informa que o recurso
pede que “sejam suspensos os efeitos do Certificado de Sustentabilidade
Hídrica da obra e da outorga concedida pela Agência Nacional de Águas
(ANA) e os efeitos da decisão do Conselho Nacional de Recursos Hídricos
que ‘aprovou o projeto em desacordo com os procedimentos previstos’”.
As informações foram obtidas junto à assessoria da Procuradoria Geral
da República.
Antonio Fernando Souza observa no recurso entregue
ao STF que as violações das normas sobre o licenciamento e o uso dos
recursos hídricos são várias, “apontadas nas diversas ações, reveladas
em omissões, insuficiências e inconsistências existentes no projeto” e
que o prosseguimento do processo no atual rito já possui
“potencialidade de provocar danos ambientais”.
Os recursos
previstos para a transposição no Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC) são da ordem de R$ 6,6 bilhões até 2010, e as obras seriam
divididas em 14 lotes. Para 2007, o programa prevê R$ 837 milhões para
o projeto.
O anúncio de Pedro Brito de que o governo pretendia
lançar o edital para as obras em breve foi um novo lance no tabuleiro
jurídico e político em torno da transposição. Em janeiro, o ministério
publicara o edital para o detalhamento do projeto, e a expectativa era
de que as obras fossem licitadas somente após os avanços na elaboração
do projeto. A afirmação de Brito realçou, mais uma vez, que o governo
possui estratégias variadas – e até contraditórias – para a execução da
obra.
Para realizar a obra, o governo depende tanto da licença
prévia, já concedida e agora questionada pelo procurador-geral, quanto
da licença de instalação. Mas o fato de ainda não ter obtido essa
segunda não é um impeditivo para o lançamento do edital para as obras –
embora haja o risco de, feita a licitação, o projeto não obter o
respaldo legal para sua realização. Segundo a assessoria de imprensa do
Ibama, o setor do órgão responsável pelos licenciamentos trabalha com a
expectativa de emitir seu parecer referente à licença de instalação do
projeto até o final de fevereiro.
Outras frentes
Ao
mesmo tempo que o ministério da Integração, Ibama e Procuradoria Geral
apontam para um novo contexto relativo ao projeto, o rio São Francisco
foi protagonista de outras importantes situações neste início de
fevereiro.
Em uma delas, o Fórum Permanente de Defesa do São
Francisco na Bahia, formado por sete ONGs, ingressou com recurso no STF
contra a decisão do ministro Sepúlveda Pertence que determinou a
suspensão das liminares contrárias ao projeto. Em sua decisão, Pertence
havia considerado ilegítimas as entidades civis a abrirem os processos
no STF sobre o tema. As entidades também questionam esse aspecto da
decisão.
Além disso, os movimentos sociais encaminharam carta ao presidente Lula
cobrando a retomada do diálogo a respeito da transposição e do
desenvolvimento do Semi-Árido. Os movimentos contrários ao projeto
prometem mais mobilizações em 2007, por exemplo realizando vigílias nas
áreas de captação de água previstas no projeto.
Também nesta
semana, foram divulgados estudos da Comissão Nacional de Energia
Nuclear (CNEN) que apontam para a possibilidade de instalação de usinas
de energia nuclear nas margens do São Francisco.























