Número de jovens internados por cometer crimes cresce 363% em dez anos
Publicado em 26/02/2007 09:48
Juliana Andrade
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O número de adolescentes infratores que cumprem medida
privativa de liberdade em todo o país cresceu 363% nos últimos dez
anos. No ano passado, havia 15.426 jovens em unidades de internação,
enquanto em 1996 eram 4.245. Os dados fazem parte da pesquisa Política
de Atendimento a Adolescentes em Conflito com a Lei, divulgada pela
Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH) da Presidência da
República.
O levantamento alerta que a privação de liberdade nem
sempre tem sido usada em situação de excepcionalidade e por breve
duração, como determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Na média nacional, há cerca de nove jovens em internação para cada
adolescente em semiliberdade.
A região Nordeste foi a que
registrou o maior crescimento no número de adolescentes internos,
passando de 413 em 1996 para 2.815 no ano passado, um aumento de 591%.
Em seguida, vem a região Norte, com crescimento de 523% no mesmo
período - passou de 207 para 1.083 adolescentes internos.
No
Sudeste, o aumento foi de 349%: no Sul, de 313%; e no Centro-Oeste, de
248%. Para a subsecretária de Promoção dos Direitos da Criança e do
Adolescente da SEDH, Carmen Oliveira, o levantamento é “bastante
preocupante”. Atual presidente do Conselho Nacional dos Direitos da
Criança e do Adolescente (Conanda), Oliveira afirma que os números são
uma evidência de uma “maior prisionalização” dos jovens que cometeram
atos infracionais.
Segundo ela, apesar dessa tendência, os
estados de São Paulo e do Rio Grande do Sul e o Distrito Federal
apresentaram recuo no crescimento nos últimos dois anos. “Se São Paulo,
com toda a sua complexidade de problemas e a gravidade da situação que
enfrenta, conseguiu fazer essa reversão, é possível que nós tenhamos
maiores possibilidades até em estados menores, que têm sistemas
socioeducativos menores”.
De acordo com a subsecretária, os três
estados obtiveram esses resultados porque investiram na regionalização
do sistema socioeducativo e em medidas de semiliberdade. “Quanto mais
você regionaliza, coloca suas unidades no interior do estado, mais
próximas da convivência familiar e comunitária, esse adolescente também
passa a ser incluído de uma outra forma”, destaca.
Nesta segunda-feira, o Conanda convocou uma reunião extraordinária para discutir a proposta de redução da maioridade penal.























