Levantamento inédito vai mostrar situação dos 4,6 mil conselhos tutelares do Brasil
Publicado em 26/02/2007 09:51
Juliana Andrade
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Um levantamento inédito, que deverá ser apresentado na
próxima reunião ordinária do Conselho Nacional dos Direitos da Criança
e do Adolescente (Conanda), marcada para março, vai mostrar as
condições de funcionamento dos mais de 4,6 mil conselhos tutelares
existentes no país. Coordenada pela Secretaria Especial dos Direitos
Humanos, em parceria com o Conanda, a pesquisa Conhecendo a Realidade
também ajudará a identificar os principais problemas que atingem as
crianças e adolescentes atendidos pelos conselhos e servirá para
orientar o desenvolvimento de políticas públicas voltadas ao público
infanto-juvenil.
Os conselhos tutelares foram criados pelo
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) há 16 anos. Eles são órgãos
permanentes e autônomos, cujos membros são eleitos pela população a
cada três anos e devem trabalhar para atender à criança e ao
adolescente sempre que seus direitos forem ameaçados ou violados.
Segundo um dos coordenadores do Fórum Nacional dos Conselheiros
Tutelares, Osvaldo Ângelo da Silva Filho, em muitos municípios, a
prestação do serviço esbarra em dificuldades como falta de capacitação
dos conselheiros, de infra-estrutura, de transporte e até mesmo de
equipamentos básicos para o trabalho, como telefone e computador com
acesso à internet.
“A dificuldade apresentada em cada cidade
acaba repercutindo na ação para garantir direitos violados ou ameaçados
de crianças e adolescentes. Isso na maioria das vezes deixa o
conselheiro tutelar sem uma retaguarda para poder garantir esses
direitos”, lamenta Filho. Segundo ele, o quadro se repete em municípios
de norte a sul do país, muitas vezes com a omissão do Ministério
Público, que deveria responsabilizar o poder público municipal.
De
acordo com a presidente do Conanda, Carmen Oliveira, as dificuldades
enfrentadas pelos conselhos tutelares estão relacionadas à falta de
compromisso por parte do poder público municipal. “Muito até agora
ficou atribuído à baixa escolaridade dos conselheiros, ou até mesmo à0
vinculação deles a outros interesses, como por exemplo, eleitorais, de
vereadores, de organizações religiosas. Mas os problemas são mais
complexos, envolvem também o compromisso dos gestores municipais nesse
processo”.
Segundo Oliveira, uma das conclusões preliminares da
pesquisa é que em muitos casos a criação dos conselhos tutelares não
foi acompanhada da correta destinação de recursos para o funcionamento
dessas estruturas. Segundo ela, a lei determina que os municípios devem
manter Fundos da Infância e da Adolescência, para complementar o
orçamento do governo.
O problema é que, muitas vezes, esses
fundos não existem, de acordo com a presidente do Conanda, que também é
subsecretária de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente da
SEDH. “Embora estejamos muito perto da universalização de implantação
dos conselhos, o mesmo não se pode dizer dos fundos. Isso significa um
sinal vermelho pra todos nós de que é possível também nesse município
que não criou essa estrutura de fundo não haja um orçamento para
criança e adolescente”.
Este ano, conforme Oliveira, o governo
federal deve implementar duas ações para fortalecer os conselhos
tutelares, ambas voltadas à capacitação dos conselheiros. A primeira é
a criação de Escolas de Conselho, que serão implementadas por meio de
convênio entre o governo federal e organizações não-governamentais. Uma
das exigências é que essas entidades firmem parcerias com
universidades.























