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Você está aqui: Página Inicial Notícias Notícias Gerais 2007 Fevereiro Inflação foi antipobre entre 1999 e 2006
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Inflação foi antipobre entre 1999 e 2006

Publicado em 14/02/2007 11:14

PNUD/Prima Pagina

PNUD/Prima Pagina

Estudo que propõe pesos diferentes para os itens de consumo aponta que o aumento de preços prejudicou mais os pobres no período

A estrutura da inflação prejudicou mais os pobres no Brasil 1999 e 2006. A conclusão é de um estudo que dá maior peso ao aumento de preço de itens considerados “indispensáveis”, como alimentação, moradia e vestuário, e minimiza a alta de itens de segunda necessidade, como transporte e entretenimento.

O estudo, intitulado Medindo o Impacto da Mudança de Preços na Pobreza, foi elaborado pelo economista indiano Nanak Kakwani e pelo também economista Hyun Son, ambos pesquisadores do Centro Internacional de Pobreza, um braço do PNUD com sede em Brasília. O trabalho parte do princípio que o método mais usado para atualizar os índices de pobreza é falho, por não levar em consideração as diferenças no padrão de consumo de ricos e pobres. Para contornar esse problema, os autores propõem um novo índice de preços relativos, elaborado a partir dos dados da POF (Pesquisa de Orçamento Familiar), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A inflação no período como um todo foi desfavorável aos pobres porque a alta dos preços incidiu mais sobre os itens indispensáveis do que sobre os de segunda necessidade. "Pode-se dizer que a mudança nos preços relativos não favoreceu os pobres no Brasil durante o período 1999-2006", comentam os autores. Os dados do estudo mostram que os reajustes tiveram maior impacto na pobreza entre 2000/2001 e 2002/2003, mas tiveram efeito distributivo de 2003/2004 a 2005/2006. “Nos últimos dois ou três anos, as mudanças de preço foram pró-pobre.(...) Este estudo sugere que a desigualdade de renda real tenha caído ainda mais que a de renda nominal”, afirma o texto.

Para verificar a variação da proporção de pobres, os pesquisadores comumente atualizam a linha de pobreza ao longo do tempo usando o índice de preços de Laspeyres — calculado com base no orçamento familiar médio. O problema, de acordo com os autores, é que ricos e pobres têm padrões de consumo diferentes. “A pessoas de baixa renda gastam, em média, mais de seu orçamento com necessidades do que com itens de luxo. Assim, se o preço das necessidades aumenta mais rapidamente que o dos itens de luxo, os pobres são mais afetados que os não-pobres”, observa o estudo.

No trabalho, Nanak e Son propõem um novo índice de preços para os pobres, que oscila na mesma proporção em que o aumento de preços eleva a proporção de pessoas nesse grupo. Desta forma, os autores estabelecem uma relação direta entre a variação desse índice e a do percentual de pobres. Logo, quanto mais alto o índice, maior o crescimento da pobreza. E, assim, o estudo classifica a variação de preços como pró-pobre ou antipobre, caso o novo índice seja, respectivamente, menor ou maior que o índice de preços de Laspeyres.

Para aplicar a teoria no cenário brasileiro, o estudo usa a variação de preços de sete grupos de commodities em 12 regiões brasileiras. A partir dos dados da POF, os autores estimam o impacto dos preços na proporção de pobres — para cada 1% de aumento no preço dos alimentos, por exemplo, a proporção de pobres sobe 0,42%. Após essa apuração inicial, o estudo atribui pesos diferentes para os grupos: alimentação, moradia e vestuário têm peso mais elevado; transporte, saúde, entretenimento e educação, mais baixo. Assim, o aumento de preços passa a ser relativo: se a maior parte da inflação incidir principalmente sobre os itens de segunda necessidade, a alta é pró-pobre. Mas, se afetar mais aos itens indispensáveis, é antipobre.

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