Governo institui a Política Nacional de Desenvolvimento Regional
Publicado em 23/02/2007 10:31
Ana Paula Marra
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta
quinta-feira (22), em cerimônia no Palácio do Planalto, decreto que cria a
Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR), que visa orientar as
ações articuladas entre governos e demais atores sociais para reduzir as
desigualdades regionais do país.
Segundo destacou o ministro da Integração Nacional, Pedro Brito, as
desigualdades regionais brasileiras precisam ser superadas, pois constituem um
“enorme obstáculo” para o desenvolvimento do país. “As desigualdades entre as
regiões conspiram contra a construção de uma Federação solidária e
progressista, que é o objetivo de todos e obstinação do atual governo”, afirmou
Brito.
O presidente Lula destacou que para superar as desigualdades regionais é
preciso, sobretudo, que cada governante dê prioridade ao desenvolvimento
regional e pense no país como um todo e de forma local. “Nas caravanas (da
cidadania) descobri que não era possível o Brasil dar certo se ele não fosse
pensado a partir das micro regiões e das macro regiões, levando em conta as
necessidades e as particularidades de cada região. O Brasil tem de ser pensado
globalmente, mas antes de ser pensado globalmente tem de ser pensado
localmente. Só a partir daí é possível fazer a justiça que há muito tempo
deveria ter sido feita”, disse.
Lula reiterou que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) foi basicamente
pensado do ponto de vista do desenvolvimento regional, já que esta é uma
prioridade do atual governo. E acrescentou que seu governo vai acompanhar “com
lupa” todas as ações a serem desenvolvidas no âmbito do PAC.
“Vamos acompanhar cada obra que for acontecer, quando vai
começar, quando vai terminar. Porque se não for assim, a gente corre o risco de
ter anunciado mais um plano como todos que já foram anunciados e não
aconteceram”, garantiu.
O presidente também destacou a importância do Congresso
Nacional aprovar, no âmbito da reforma tributária, a criação do Fundo Nacional
de Desenvolvimento Regional, que vai canalizar recursos para a recriação da
Sudam (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia) e da Sudene
(Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste). “Para recriar a Sudam e a
Sudene é preciso colocar dinheiro nelas. Elas não podem apenas trabalhar com o
dinheiro dos fundos constitucionais. Portanto, este ano vamos ter de resolver
este problema para podermos dotar a Sudam e a Sudene de possibilidades de
voltar a funcionar”.
Os principais instrumentos de financiamento da PNDR, além do Orçamento Geral da
União, serão os fundos de desenvolvimento regionais. Este ano o orçamento previsto
para os Fundos Constitucionais de Financiamento do Nordeste (FNE), do Norte
(FNO) e do Centro-Oeste (FCO), destinado a financiar o setor produtivo regional
é de R$ 9,3 bilhões, representando um incremento de R$ 2,7 bilhões em relação
ao ano anterior.
Também estão previstos mais R$ 2 bilhões dos Fundos de Desenvolvimento do Nordeste (FNDE) e da Amazônia (FDA), que são destinados a financiar projetos estruturadores, com prioridade para os de infra-estrutura inseridos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Ao Ministério da Integração Nacional caberá a atribuição de
estabelecer diretrizes e prioridades para a aplicação dos recursos e
supervisionar e acompanhar a aplicação das verbas.
O decreto que institui a PNDR estabelece ainda competências dos órgãos
responsáveis pela implementação da política, principalmente dos 23 ministérios
que compõem a Câmara de Políticas de Integração Nacional e Desenvolvimento
Regional, coordenada pela Casa Civil. A PNDR será monitorada pelo Sistema
Nacional de Informação para o Desenvolvimento Regional, também criado pelo
decreto, e coordenada pelo Ministério da Integração Nacional.
A PNDR reconhece a existência de sub-regiões dentro de cada macrorregião do
país, sendo algumas consideradas competitivas, com elevados rendimentos médios,
e outras sub-regiões consideradas estagnadas e com precárias condições de vida.
Diante disso, a política classifica o território nacional com base em quatro
critérios diferentes: Alta Renda, Baixa Renda, Dinâmica Recente e Estagnado; e
apresenta estratégias específicas para cada um.























