Entidades se mobilizam em defesa do rio São Francisco
Publicado em 09/02/2007 09:22
Adital - O
Fórum Permanente de Defesa do São Francisco - Bahia entrou ontem (7)
com recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão do
ministro Sepúlveda Pertence que, um dia antes do recesso do Tribunal,
em dezembro passado, suspendeu as liminares que impediam o
licenciamento do projeto de Transposição do Rio São Francisco.
Segundo
informa o Fórum - que conta com entidades como o Instituto de Ação
Ambiental da Bahia, Associação Movimento Paulo Jackson, Pangea,
Cáritas, Associação dos Engenheiros Agrônomos da Bahia (Aeaba), entre
outroas - além de suspender as liminares, o ministro considerou todas
as entidades da sociedade civil ilegítimas para abrirem processos junto
ao STF, chegando a extinguir algumas ações sem apreciação do pedido. Além
desta iniciativa no campo jurídico, o Fórum vem deslanchando uma
Campanha pela Revitalização da Bacia que tem promovido várias
mobilizações como o protesto contra a transposição feito durante a
Festa de Iemanjá, uma das mais tradicionais festas populares de
Salvador (BA), no dia 2 de fevereiro, mesmo dia em que a ONU divulgava,
em Paris, o Relatório que responsabiliza as ações humanas pelo
aquecimento global. Para
os representantes do Fórum, o Relatório - que prevê a expansão das
zonas de seca e aponta o Semi-Árido como zona das mais afetadas pelo
aquecimento global - veio a calhar, sendo um grande aliado, no momento
em que o governo anuncia o início da obra, como mais um documento de
cientistas a reforçar os argumento contra a transposição. No recurso -agravo regimental -
as entidades sustentam que a tentativa de excluí-las dos processos
ofende o direito de ação que lhes é garantido na Constituição Federal,
requerendo, por isto, que sejam reconhecidas como partes legítimas para
a defesa dos interesses coletivos junto ao STF. No agravo,
as entidades reafirmam as irregularidades desconsideradas pelo
ministro, como falhas e omissões no Estudo de Impacto Ambiental (EIA),
falta de diagnóstico das populações afetadas, desrespeito às
comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas localizadas na Bacia,
ofensa ao direito de informação e participação popular, inadequação do
projeto à legislação ambiental e de recursos hídricos, e falta de
autorização do Congresso Nacional para aproveitamento hídrico em terras
indígenas. Considerando
o Projeto desnecessário por diversos motivos, especialmente o alto
custo que representa para os cofres públicos, as entidades argumentam
que existem formas alternativas, mais baratas e ambientalmente
sustentáveis para o desenvolvimento do Semi-Árido e que outras
desastrosas experiências de transposição servem de alerta para os
riscos sociais e ambientais desse projeto. A expectativa é que o
recurso seja apreciado em caráter de urgência e que, considerando todos
esses motivos, o Pleno - colegiado que reúne todos os Ministros -
modifique a decisão de Sepúlveda Pertence.























