Concorrência por verba faz programas ficarem no papel, mostra ONG
Publicado em 05/02/2007 17:32
Alex Rodrigues, Bárbara Lobato e Daniel Merli
Da Agência Brasil
Brasília - De cada R$ 10 previstos no Orçamento da União de 2006, R$
1 não foi aplicado. A descoberta está no levantamento do Instituto de
Estudos Socioeconômicos (Inesc), feito com base nos dados do Siga
Brasil, sistema do Senado Federal para acompanhamento do orçamento. O
Ministério do Planejamento não quis comentar o estudo do Inesc.
Entre
os cerca de 10% do orçamento do ano passado que não foram aplicados
pelo governo federal, estão seis programas que tiveram execução zero,
entre eles, o programa para Universalização dos Serviços de
Telecomunicações. Dos R$ 7,3 milhões previstos no Orçamento para o
programa, não foi aplicado nenhum real. Segundo a assessoria do
Ministério das Comunicações, parte dos recursos previstos para a pasta
não foi autorizada.
Os ministérios com menor execução
orçamentária foram os de Minas e Energia, com 18% do orçamento
executado, e em seguida o das Comunicações (27%) e do Meio Ambiente
(55%). O Ministério de Minas e Energia afirma que os números dizem
respeito ao total de estatais sob responsabilidade da pasta. Segundo a
assessoria, o orçamento da pasta possui uma das execuções mais altas,
com 92%.
"Há uma escassez de recursos", avalia o assistente de
Política Fiscal do Inesc, Lucídio
Bicalho. 'Os programas concorrem uns com os outros.
Não há reservas, a não ser para os gastos cuja execução é obrigatória.
Nos demais, o governo tem de eleger suas prioridades e distribuir os
recursos, muitas vezes retirando-os de áreas em que são necessários".
Bicalho citou o exemplo de habitação e saneamento básico que, apesar de
importantes, não são obrigatórios.
Na
avaliação do Inesc, há três motivos que causam o problema da
não-execução orçamentária dos órgãos: retardamento no repasse de
verbas, falhas na execução de programas e recebimento de "restos a
pagar" de anos anteriores. "O que existe na prática são dois orçamentos
paralelos. O oficial, a Lei Orçamentária, e uma deturpação do sistema,
que é a utilização de recursos atuais para pagar dívidas que vão sendo
postergadas e executadas em exercícios posteriores", afirma Lucídio
Bicalho. “O governo deixa de executar em programas importantes os
recursos arrecadados em um ano, desviando-os. Este orçamento paralelo
acaba atrapalhando o acompanhamento e o monitoramento da execução dos
recursos públicos”.
"Se o governo não tem uma previsão
coordenada dos recursos, quando puxa a coberta, acaba deixando os pés
descobertos. E é isto o que vem acontecendo no caso dos vários
programas governamentais que não têm execução vinculada. Estes gastos
acabam perdendo quando é feito um planejamento ruim, em que se tem de
acrescentar novas despesas. Isso prejudica a execução do planejamento
governamental".























