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Chávez e Kirchner anunciam a criação do Banco do Sul

Publicado em 22/02/2007 11:24

Uol/Efe

Puerto Ordaz (Venezuela), 21 fev (Uol/EFE).- Os presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, e Néstor Kirchner, da Argentina, anunciaram hoje a criação do Banco do Sul para romper com a dependência dos países da região de outros organismos de crédito.

Chávez e Kirchner expressaram sua confiança em que toda a América do Sul adira à iniciativa.

"O memorando de entendimento que assinamos para implementar o Banco do Sul determina que, quando quiserem, todos os países (da América do Sul) podem aderir. Ou seja, nasce bilateralmente, mas sem abandonar a filosofia multilateral, que evidentemente é o que nós pretendemos", disse Kirchner em entrevista coletiva conjunta com Chávez.

O líder venezuelano confirmou que o memorando bilateral "prevê que os Governos possam aderir (...) em qualquer fase", e que o banco nascerá oficialmente em "120 dias, contando a partir de hoje", período necessário para sua constituição oficial, a redação de seu estatuto, a captação de recursos e outras medidas.

Brasil, Bolívia e Equador serão os primeiros a se unir à iniciativa, previu Chávez.

Este foi, segundo Chávez, o aspecto "mais importante" da visita de 24 horas feita por Kirchner à Venezuela, na qual os dois líderes também assinaram vários acordos bilaterais.

A sede principal da entidade ficará em Caracas. "Convidamos todos os Governos da América do Sul a se unir", acrescentou o presidente venezuelano.

De acordo com Chávez, o lance Bolívia-Argentina do Gasoduto do Sul, que levará gás natural venezuelano à região, será "um dos primeiros (empreendimentos) financiados pelo Banco do Sul".

"Nós temos capacidade de angariar recursos adicionais de até 4 ou 5 vezes, em outras partes do mundo", em relação ao montante que for determinado como capital inicial do novo banco, afirmou.

O líder venezuelano, que há vários anos propõe a criação do banco, até agora sem grande repercussão, acrescentou que agora "depende" dos bancos centrais nacionais a possibilidade de o Banco do Sul captar parte das reservas internacionais de cada um deles.

"Onde estão nossas reservas internacionais? Onde as colocamos? Nos bancos e nas entidades financeiras do Norte!", afirmou Chávez, lamentando que os países sul-americanos estejam, desta forma, "financiando o desenvolvimento do Norte".

Chávez assinalou que "muitas vezes com esse nosso dinheiro, pelo qual eles pagam juros bastante baixos (...), fazem empréstimos a nós mesmos (...), e com taxas de juros altíssimas".

Após dizer que Venezuela, Argentina e Brasil totalizam cerca de US$ 150 bilhões em reservas internacionais, afirmou que "é perfeitamente viável" que os países da região destinem "vários bilhões de dólares" de suas reservas internacionais à nova entidade regional.

Kirchner expressou sua certeza de que isso vai acontecer, "e todos os países da América do Sul se unirão" à iniciativa. Também condenou políticas de outras instituições, como o Banco Mundial (BM).

"O Banco do Sul tem que ter características e filosofias diferentes de alguns bancos internacionais que também nasceram para promover investimentos, mas que se transformaram em verdadeiros castigos para os povos" e "invadem e intervêm definitivamente nas decisões econômicas dos países", disse.

De acordo com Kirchner, a Argentina ainda está "tentando sair" do inferno. O Banco Mundial "muitas vezes nos deu créditos para reforma educacional, consolidação de planos de saúde e reformas integrais regionais, mas isso era a máscara", afirmou.

Na verdade, segundo o líder peronista, "o crédito era para pagar o vencimento das parcelas do FMI (Fundo Monetário Internacional)".

"Esses bancos perderam totalmente seu objetivo. Esperemos que em algum momento o recuperem", afirmou o presidente argentino.

A idéia, acrescentou, é que o Banco do Sul apóie "todos aqueles investimentos que visem à reconversão produtiva, à inclusão social, à integração física" da América do Sul e "ao desenvolvimento global de projetos estratégicos".

Devem ter acesso ao banco "o mais forte e o menor", pois a entidade não deve ser "seletiva, mas solidária", acrescentou Kirchner.

"Se o Banco do Sul se transformar em uma entidade financeira a mais, terá sido um novo fracasso da região", alertou.

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