Câmara dificulta progressão de pena para crime hediondo
Publicado em 15/02/2007 09:32
O Plenário aprovou nesta quarta-feira o Projeto de Lei 6793/06, do
Poder Executivo, que disciplina o direito à progressão de pena do
condenado por crime hediondo.
Pelo texto aprovado, o condenado por esse tipo de crime terá de cumprir
2/5 da pena no regime fechado para poder pedir a progressão de pena
para o regime semi-aberto. Se ele for reincidente, deverá cumprir 3/5
da pena. A matéria ainda será votada pelo Senado.
O texto
aprovado pela Câmara foi resultado de um acordo de lideranças e
apresentado em Plenário pelo deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP) da
Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. O projeto foi
enviado ao Congresso Nacional depois que o Supremo Tribunal Federal
(STF) decidiu ser inconstitucional o dispositivo da Lei dos Crimes
Hediondos (Lei 8072/90) que não permitia que o apenado por esse tipo de
crime fosse beneficiado com a progressão do regime fechado para outros
regimes menos rigorosos. Assim, passou a valer a regra geral:
necessidade de cumprimento de 1/6 da pena para requerer o regime mais
brando.
A discussão da matéria suscitou diversos posicionamentos
em relação aos efeitos do projeto para a diminuição da violência. Para
o presidente Arlindo Chinaglia, "em nenhum momento a Presidência
trabalhou com a idéia de que um pequeno avanço representaria a solução
de todos os problemas. A Câmara dos Deputados está de parabéns, por ter
aprovado por unanimidade essa matéria", disse o presidente.
Líderes
Na
fase de encaminhamento da votação, os líderes orientaram suas bancadas
unanimemente pela aprovação do projeto. Mesmo comemorando a aprovação,
o líder do PDT, Miro Teixeira (RJ), disse que a solução dos problemas
de segurança pública não ocorrerá com a aprovação desse projeto. No
mesmo sentido, o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) também reconheceu
que a Câmara deve aprovar mais projetos para o Brasil ter uma política
de segurança pública.
Pelo PPS, o deputado Raul Jungmann (PE)
afirmou que não é a extensão da pena, mas a certeza da punição que
intimida o cometimento de um crime. O deputado Alberto Fraga (DF),
falando pelo PFL, afirmou que a Câmara deve dar uma resposta à
sociedade e demonstrar que sabe votar de maneira madura mesmo no clamor
do momento.
Carlos Sampaio (SP) encaminhou pelo PSDB e elogiou
a aprovação do projeto, mas lamentou que o texto aprovado tenha
excluído a exigência de exame criminológico para o juiz decidir sobre a
progressão penal. O deputado Abelardo Camarinha (PSB-SP) encaminhou a
votação pelo bloco PSB-PDT e pediu a votação de projetos que diminuam a
maioridade penal, atualmente em 18 anos. Ele relatou o assassinato
cometido contra seu filho por um menor de idade, elogiando o primeiro
passo que a Casa deu para modificar a legislação penal.
Pelo
bloco PMDB-PT, o deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ) disse que a votação
desse projeto hoje não se deve a um clamor público, mas sim a uma
decisão do Supremo que considerou inconstitucional a proibição de
progressão de pena para os crimes hediondos. O líder do Psol, Chico
Alencar (RJ) disse que a função da Câmara é promover a Justiça por meio
de melhores leis com racionalidade.
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