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A competição virtuosa

Publicado em 04/02/2007 20:33

Blog Luis Nassif

Luis Nassif on line

Acho que algumas pessoas não entenderam o que está ocorrendo no jogo político, em torno das bandeiras do social, da gestão e do desenvolvimento.

Fernando Collor, lá trás, trouxe a idéia da abertura e da modernização. Era uma bandeira política que ele perdeu por conta do “impeachment”.

Fernando Henrique Cardoso tentou empunhar a bandeira da modernização, mas acabou comprometendo-a pela ausência de um projeto nacional, pela de falta de uma bandeira social e, principalmente, pela ausência de coragem de enfrentar os erros da política cambial.

Com o esgotamento precoce de bandeira FHC, algumas forças-chave emergiram na opinião pública, embora a mídia tradicional tenha enorme dificuldade para entender os novos conceitos.

São três as idéias-chave:

1. Economia com social. Não se aceita mais discutir política econômica sem colocar o foco no social. O Lula do primeiro governo pegou a bandeira, especialmente a partir do Bolsa Família. O do segundo entendeu o recado das urnas, aumentou o salário mínimo e acabou com as manobras contra a Previdência. Mas poderá ser derrotado pela falta de coragem de encarar o câmbio, como FHC.

2. Gestão. O Aécio Neves conseguiu empalmar essa bandeira, que estava dando sopa para FHC com a reforma administrativa de Luiz Carlos Bresser Pereira, e o presidente abandonou.

3. Desenvolvimento. Esta é a bandeira vaga, que José Serra está se habilitando a pegar.

Antes das eleições, alertava-se aqui para a notável confluência de fatores políticos que se desenhava, com a eleição de Lula e de uma geração diferenciada de governadores. Eles acabariam promovendo a competição virtuosa.

Analise bem. Lula abraçou o social. Mas não tem projeto claro de país, nem força para enquadrar o Banco Central -- que derrubou o PAC dois dias depois de ser lançado.

Com isso, Lula abriu a guarda , e por ele entrou José Serra demarcando espaço, inclusive dentro do seu próprio partido, ao investir pesadamente contra os princípios defendidos pela Casa das Garças –e aceitos pela “jurisprudência” jornalística.

Se Lula não se posicionar frente ao BC, perde a bandeira-síntese para Serra. O mesmo ocorrerá com o Aécio.

Por outro lado, se Serra não investir fortemente no social e na gestão, perderá espaço para os dois outros pólos.

Antes da economia, vem a política. A pouca sensibilidade em relação a esses movimentos prévios é que vai deixar doidinhos alguns comentaristas que passaram os últimos oito anos demonizando os princípios que, agora, começam a aceitar, porque partindo do Serra. Ainda estão meio grogres com o PAC e com a nova contabilização da Previdência.

Mas essa perda de rumo é fundamental para a construção do novo rumo.

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