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Reunião do Mercosul termina com divergências e transferência da presidência do bloco à Argentina

Publicado em 18/12/2007 14:56

UOL

A cúpula semestral do Mercosul terminou nesta terça-feira em Montevidéu, capital uruguaia, com a transferência da presidência temporária do bloco do Uruguai para a Argentina, que a exercerá durante o primeiro semestre de 2008.

Presidentes dos quatro países membros (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), além do presidente da Venezuela, Hugo Chávez (cujo país está em processo de adesão formal ao bloco), Michelle Bachelet (Chile), e Evo Morales (Bolívia), participaram do encontro.

De forma paralela à cúpula, o Mercosul assinou um Tratado de Livre-Comércio (TLC) com Israel, o primeiro desde sua criação em 1991.

Divergências
Cristina Kirchner e Lula divergiram sobre a influência externa no Mercosul durante a reunião. Para Lula, os problemas enfrentados pelo bloco são culpa dos próprios países participantes. "O Mercosul tem inimigos internos e externos, e se não avançamos mais depressa, a culpa não é dos Estados Unidos, da Alemanha nem de nenhum outro país, mas de nós mesmos", destacou Lula.

De acordo com o presidente, para poder seguir em frente e superar os obstáculos internos "é necessário deixar de lado as críticas e as pressões" dos setores empresariais e industriais que cada governo pode enfrentar em seus países.

Lula também disse que é difícil ver os defeitos do Mercosul, e comparou-o a um filho. "A burocracia é um dos muitos problemas no bloco, mas às vezes vemos o Mercosul como um filho, e nem sempre é possível enxergar suas falhas. É preciso reconhecer que elas existem", disse.

Bruno Mirando/Folha Imagem
Lula (ao centro), Amorim (e) e Mantega (d) participaram da reunião da cúpula do Mercosul em Monteviéu, no Uruguai. Presidente brasileiro disse que problemas do bloco são causados pelos próprios países participantes, e não pelos EUA.
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Cristina rebateu o presidente brasileiro. "O senhor presidente Lula se queixa (...) na realidade não somos nós os que criticamos. Há fortes interesses externos e internos e também em alguns setores de nossos próprios países, uma espécie de cegueira cultural ao que nos é próprio", disse Fernández.

Inclusão da Venezuela
A presidente da Argentina, país que assumiu a presidência do bloco, se comprometeu a trabalhar para superar as assimetrias que afetam negativamente o bloco e disse esperar que a inclusão da Venezuela na cúpula se concretize.

"A presença da Venezuela no Mercosul vai permitir a conclusão da equação energética", afirmou, dizendo ser este um processo fundamental no processo de integração dos países do bloco.

Solícito, Hugo Chávez, presidente venezuelano, disse que seu país está disposto a ajudar no que for necessário, já que "o destino da América do Sul depende do destino do Mercosul."

"Deveriam nos dar um troféu de prêmio à resistência. Faz nove anos que a Venezuela pediu a entrada no Mercosul", afirmou Chávez aos membros do bloco regional, enquanto lembrava a atitude dos legislativos brasileiro e paraguaio, que negaram a adesão de seu país ao bloco por temerem os métodos populistas e a chamada revolução socialista pretendida por Chávez.

A fim de preparar a entrada no Mercosul, a Venezuela - disse Chávez - tomou uma série de ações destinadas também a "contribuir ao combate das assimetrias", e que apoiarão, principalmente, as economias mais fracas do grupo, ou seja, a uruguaia e a paraguaia.

Outras opiniões
Para Tabaré Vázquez, presidente do Uruguai e anfitrião da reunião da cúpula, "o Mercosul precisa de eixos mais concretos para assegurar seu avanço à integração regional." Mesmo admitindo que "as vezes não basta a vontade política para avançar", Vázquez destacou pontos importantes de progresso durante o período em que seu país esteve na presidência da cúpula, e pediu desculpas pelas críticas que o Uruguai havia feito nos últimos tempos ao andamento das negociações.

O presidente do Paraguai, Nicanor Duarte, afirmou hoje que os países do Mercosul estão avançando "para que caiam os muros da mesquinharia" dentro do bloco que, na sua opinião, está agora "mais atlético e menos paquidérmico".

"Estamos construindo um Mercosul mais atraente, com maior atenção social. Acho que caminha para ser um filho maior de idade", disse Duarte em seu discurso.

Embora existam as divergências entre os países, seus líderes apresentam otimismo na reunião da cúpula. "O Mercosul só pode ir adiante. O que foi alcançado até agora é irrevogável", disse Reinaldo Gargano, secretário de relações exteriores uruguaio. Para ele, "em 16 anos não é possível corrigir as assimetrias que se geraram em 180 anos." Lula também afirmou estar "otimista com o futuro do Mercosul".

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