Movimentos sociais do Mercosul dizem que integração não pode ser só comercial
Publicado em 18/12/2007 09:55
Mylena Fiori
Enviada especial Agência Brasil
Montevidéu (Uruguai) - De nada adianta uma integração baseada apenas em
interesses comerciais. Essa é a visão de movimentos sociais do Mercosul
reunidos na Cúpula dos Povos pela Soberania e pela Integração
Sul-americana, Todos os povos, Toda a Esperança.
O evento ocorre na capital uruguaia, paralelamente à Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul. Uma das críticas é a falta de avanços em temas trabalhistas.
A
sociedade civil organizada reclama da impossibilidade de livre
circulaçãode trabalhadores e da falta de uma legislação trabalhista
comum entre os países do bloco.
"As discussões terminam sendo
sobre uma papeleira ou outra coisa quando, na realidade devemos,
discutir que modelo queremos para a América do Sul. É nisso que não
avançamos", avalia Pablo Khalil, da Central de Trabalhadores do Uruguai
(PIT-CNT).
Outra queixa é a falta de um canal institucionalizado de partipação da sociedade civl nas negocições do bloco.
"O
famoso Mercosul Social foi uma bonita etiqueta. O movimento sindical
com a particpação massiva, os movimento sociais indígenas, os movimntos
anti-globalização, organizações cooperativas, nada disso particpa
diretamente no Mercosul Social", diz Khalil. "Nâo há efetivamente um
Mercosul do ponto de vista social, que trabalahe sobre todas as
populações de todos os países e sobre a participação das organizações
sociais dos países. O Mercosul tem que ser mais participativo,
democrático e produtivo. Essas são as grandes críticas".
Rosilene
Wancetto, da rede Jubileu Sul- Brasil, defende que os governos discutam
com a sociedade civil quais são as alternativas de integração que de
fato interessam aos povos.
"Quando se fala em Mercosul, precisamos falar de migração, de trabalho e de vários outros aspectos que não apenas o comercial".
Pablo
Herrero, do movimento argentino Diálogo 2000 (integrante da Aliança
Social Continental), destaca como tema fundamental a redução das
desigualdades entre os sócios do bloco.
"Para a verdadeira
integração, de e para os povos, não podemos reproduzir no bloco
parâmetros neoliberais que combatemos desde a década de 90".
Segundo
ele, há um desencontro entre a proposta de integração dos movimentos
sociais e aquela que vem sendo discutida pelos governos.
"Acreditamos
que é importante a integração, mas não a integração entendida como algo
unicamente financeiro e econômico. Estamos falando de uma integração
cultural, social, ambiental e econômica no sentido mais amplo da
palavra. A integração que propomos parte de um diálogo entre povos
irmãos a partir das diferenças, mas encontrando caminhos de consenso e
unidade".
Na última sexta-feira (14), os movimentos sociais
apresentaram suas preocupações e fizeram um balanço do processo de
integração e em encontro com a presidência Pro-Tempore do Mercocul, a
comissão de Representantes Permanentes e parlamentares do bloco.























