Reforma política pode ser votada nesta quarta-feira
Publicado em 27/11/2006 16:53
Em reunião na tarde desta terça-feira, os líderes partidários adiaram
para esta quarta-feira a votação da reforma política (Projeto de Lei 1210/07)
pelo Plenário, e definiram apenas um acordo de procedimentos para a
análise da matéria. Eles decidiram que deverá ser votado primeiro um
requerimento de preferência para a Emenda Aglutinativa 23, que trata da
fidelidade partidária
e da realização de um plebiscito em 2008 sobre a adoção de um sistema
distrital ou distrital misto. Sobre o mérito das medidas, não houve
acordo entre os partidos.
O líder do PSDB, deputado Antonio
Carlos Pannunzio (SP), disse que o acordo para a reforma política "foi
óbvio", porque a maioria definirá o que será votado primeiro. Caso a
emenda 23 não seja votada, o líder do PSDB explicou que pode ser
colocada em pauta a emenda 12, que trata das federações partidárias e do financiamento público para eleições majoritárias.
Fidelidade partidária
O
líder do PT, deputado Luiz Sérgio (RJ), acrescentou que, depois da
votação do requerimento para análise da Emenda Aglutinativa 23, pode
também entrar na pauta o projeto do deputado Luciano Castro (PR-RR)
sobre fidelidade partidária (PLP 35/07). De acordo com o líder do PT,
houve muita discussão sobre a efetividade do projeto de Luciano Castro,
e alguns líderes acham que o projeto não resolve o problema da
fidelidade partidária.
Luiz Sérgio disse que, para muitos
líderes, a reforma política não teve êxito. Entretanto, na avaliação do
parlamentar, o projeto continua na pauta e precisa ter seus itens
votados ou ser arquivado definitivamente. Ele afirmou que o PT e o DEM
defendem a aprovação do financiamento público para campanhas
majoritárias: "Vamos tentar salvar esse item, mas sua aprovação é
imprevisível."
Judiciário
O líder do PT destacou
ainda que muitos deputados estão sofrendo pressão de vereadores,
prefeitos e deputados estaduais. A tensão é gerada pela ameaça do
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de decidir sobre a fidelidade
partidária. Para o líder, a lei precisa dizer claramente quais são as
punições, mas não cabe ao TSE legislar sobre isso. Ele reconheceu,
contudo, que o tribunal só legisla porque a situação não se resolve no
Parlamento, que deveria defini-la.
Argumento semelhante foi
defendido pelo deputado João Almeida (PSDB-BA), que participou da
reunião do Colégio de Líderes. Segundo ele, muitos parlamentares
argumentam que é necessário votar a reforma política "porque o TSE está
legislando sobre as eleições".
Entretanto, o deputado reconheceu
que a Justiça não se pronuncia sobre qualquer assunto sem ser provocada
pelos próprios partidos políticos: "Estamos judicializando o processo
eleitoral. Nós é que não sabemos o que queremos e vamos ao Supremo
Tribunal Federal (STF) pedindo a eles que legislem", destacou.
Para
Almeida, a solução seria votar medidas que punam a infidelidade
partidária e, ao mesmo tempo, fazer um acordo para que os partidos
retirem os mandados de segurança já em tramitação no STF.
Financiamento
O
deputado Ivan Valente (Psol-SP) também ressaltou a dificuldade dos
líderes para entrar em acordo sobre os itens da pauta, especialmente em
relação à reforma política. Segundo ele, o PSDB e o PR não querem votar
o financiamento público. O Psol, segundo Valente, defende a votação em
plenário de todos os itens, inclusive de um projeto separado sobre o
teto para gastos nas campanhas eleitorais.
Antonio Carlos
Pannunzio confirmou que o PSDB é contrário à votação da reforma
política. Por sua vez, o líder do PR, Luciano Castro, assegurou que as
medidas previstas na reforma serão votadas nesta quarta-feira.























