Governo busca formas de reduzir desigualdade racial no acesso à internet
Publicado em 27/11/2006 16:53
Kelly Oliveira
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A solução
para resolver a desigualdade racial quanto ao acesso à
internet está em universalizar o serviço a toda
a população, na opinião do secretário-adjunto de Logística e Tecnologia da Informação
do Ministério do Planejamento, Rodrigo Assunção.
Entretanto, para entidades socais e especialistas é necessário
pensar também em projetos que levem em consideração
a diversidade cultural e histórica dessa população.
Para o
secretário, a extensão dos laboratórios
de informática às escolas públicas de ensino
fundamental até 2010, como prevê o Plano Nacional de
Educação, será um meio de iniciar o processo de
universalização do acesso. Atualmente, somente as
escolas de ensino médio contam com os laboratórios.
Assunção afirmou que a instalação de
laboratórios em todas as escolas é uma forma de levar a
infra-estrutura necessária para oferecer o serviço em
vários locais ainda não atendidos.
“Com uma mão se estende a infra-estrutura e com a outra se articulam os projetos em conjunto com todos os atores da sociedade, governos federal, estaduais, municipais, terceiro setor e iniciativa privada”, disse o secretário-adjunto.
“Há projetos de pontos de culturas e telecentros juntos a populações quilombolas, ribeirinhos e populações indígenas. Todos esses projetos são pontuais e têm um impacto numérico pouco expressivo. Para alcançar a maioria pobre do país, precisamos ampliar maciçamente os programas de acesso.”
Para o professor do
Núcleo de Estudos Afrobrasileiros da Universidade de Brasília
(UnB), Nelson Inocêncio, é necessário discutir as
diferenças e criar mais programas com conteúdos que
atendam as demandas da população negra.
“Acho
importante a universalização do acesso, mas com relação
aos conteúdos a gente não pode deixar de conversar
sobre diversidade. Até hoje no Brasil quando se fala em
educação universalizante os conteúdos são
eurocêntricos. Isso não interessa mais”, afirmou
Inocêncio.
“As pessoas que pertencem a comunidades descentes de europeus têm referencias. Mas tem pessoas negras que não conhecem o legado africano no Brasil.”
Para o diretor da Casa
de Cultura Tainã, uma entidade cultura e social, localizada em
Campinas (SP), Antonio Carlos Silva, não basta somente o
governo ceder equipamentos para as comunidades, mas é preciso
também criar núcleos de informação. “A
gente tem que criar núcleos de informação para
que essas populações tenham acesso ao conhecimento
necessário para se apropriar dessas tecnologias e fazer uso
delas para o próprio desenvolvimento.”
Na opinião de Silva, nesses núcleos, a comunidade pode aprender a recuperar um computador danificado, criar um programa de rádio na internet ou um informativo, além de discutir sobre a titulação de terras de quilombolas, desenvolvimento sustentável e identidade cultural.
Silva afirmou ainda que, atualmente, por meio de parcerias com o governo, está sendo ampliado o número de comunidades tradicionais atendidas com o acesso à tecnologia. Entretanto, ele enfatizou a necessidade de garantir a formação necessária para as comunidades.
O diretor da Casa de Cultura Tainã lembrou ainda que atualmente estão instalados 3,5 mil pontos de acesso em comunidades, como de quilombolas, ribeirinhos e indígenas, por meio do projeto Serviço de Atendimento ao Cidadão (Gesac), do Ministério das Comunicações.
“Estamos ampliando um
dos nossos projetos com apoio do Ministério das Comunicações.
Hoje, estamos em 30 comunidades e está ampliando para umas 80,
vamos atingir os estados do Maranhão, Pará, Espírito
Santo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e estamos mais concentrados
em São Paulo.”
Pesquisa da Rede de Informação Tecnológica
Latino-Americana (Ritla), com base em dados da Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílio (Pnad) de 2005, realizada pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que o
acesso dos brasileiros, principalmente pobres e negros, à
internet ainda é pequeno.
De acordo com os dados, 28,3% da
população branca com 10 anos e mais utilizou a internet
nos últimos três meses anteriores à pesquisa do
IBGE. Entre os negros, essa porcentagem é de 13,3%. Segundo a pesquisa,
entre os 40% da população mais pobre, 5,7% conseguiram
acessar a rede, enquanto nos 10% mais ricos esse índice era de
58,7%.























